Existem dois tipos de governantes. Aqueles que olham para trás e ficam se vangloriando porque teriam governado melhor que seus predecessores ? quanto na verdade não fizeram mais do que a obrigação deles ao melhorar o país. Outros olham para a frente e planejam estratégias para o Brasil do futuro.
A balança comercial de produtos industrializados tem déficit de US$ 94 bilhões, pior resultado na história do Brasil. Afinal, o que o cidadão brasileiro tem a ver com esse tal de déficit comercial?
Déficit é um nome bonito que governantes usam para esconder a verdade: significa rombo, prejuízo, perda. Em 2013, exportamos (vendemos) R$ 216 bilhões em produtos industrializados e importamos (compramos) R$ 455 bilhões. Qual o tamanho do rombo no bolso do país? R$ 239 bilhões. E esses R$ 239 bilhões foram pagos a fabricantes estrangeiros, e não brasileiros. Qualquer país estaria quebrado com esses números, se não fosse a nossa abençoada agricultura.
Esses R$ 239 bilhões não saíram do bolso do governo, mas do nosso bolso quando a gente compra produto importado, desde algum carro de luxo até aquele lixo de bugigangas chinesas. Luxo ou lixo, para o governo tudo é lucro: o governo cobra os impostos do produto nacional e do importado. Impostos! Para o cidadão, é prejuízo. Com esse prejuízo comercial nós estamos pagando R$ 239 bilhões em produtos que poderiam ter sido comprados de empresas brasileiras e gerar muitos empregos. Esse prejuízo comercial equivale a um prêmio R$ 1 milhão de reais para cada um dos 200 milhões de brasileiros. Vale 80 mil vagas de emprego com salário bruto de R$ 3 mil mensais e contando familiares, seriam 240 mil cidadãos beneficiados um salário digno.
Como acabar com esse prejuízo comercial? Consertando nossa política industrial. Investindo em tecnologias nacionais. Aumentando exportações de produtos industrializados até acabar com esse prejuízo entre o que compramos e o que vendemos. Gerando empregos aqui no Brasil ao invés de comprar fora e gerar empregos no exterior. Se nossos governantes têm preguiça de planejar algo além das eleições de 2014, não precisa criar nada. Basta copiar modelos de países como China, Japão, Coréia, que deram certo e adaptar ao Brasil.
Esta eleição não pode ser de novo aquele velho disco quebrado: vejam como estamos melhores do que há 15 anos atrás. Governantes têm é que olhar para os próximos quinze anos e não ficar se autoelogiando com o que fizeram quando nossos filhos nem eram nascidos. Quais os próximos passos? Qual candidato, não importa seu partido, nos oferecerá um projeto de Brasil?
O autor é colaborador de Opinião