O Exército da Tailândia declarou a lei marcial em todo o país ontem para restaurar a ordem após seis meses de protestos de rua que deixaram o país sem um governo operante, mas insistiu que a intervenção-surpresa não foi um golpe militar.
O líder dos protestos, Suthep Thaugsuban, que vem tentando derrubar o governo há seis meses, disse que continuará com sua luta, apesar da imposição da lei marcial.
Enquanto as tropas patrulhavam partes de Bancoc e porta-vozes do Exército estavam dando declarações às rádios, o governo interino liderado por partidários do ex-premiê autoexilado Thaksin Shinawatra disse que ainda está dirigindo o país.
O comandante do Exército, general Prayuth Chan-ocha, disse que a intervenção militar tem o objetivo de restaurar a ordem e conquistar a confiança dos investidores.
“Pedimos a todas as partes para vir e conversar para encontrarmos uma saída para o país”, disse Prayuth a jornalistas após uma reunião com diretores de agências governamentais e outros funcionários de alto escalão.
Autoridades militares disseram que não estavam interferindo no governo interino, mas os ministros não foram informados do plano do Exército antes de seu anúncio na televisão às 3 da manhã (do horário local), e Prayuth disse que a lei marcial seria mantida até que a paz e a ordem fossem restabelecidas.
Vinte e oito pessoas foram mortas e 700 ficaram feridas desde que os protestos contra o governo começaram em novembro do ano passado.
A crise é o mais recente capítulo de uma luta de poder de quase uma década entre o magnata das telecomunicações Thaksin e a oposição monarquista que levou o país à beira de uma recessão e provoca o temor de uma guerra civil.
As tropas, com jipes e metralhadoras, restringiram o tráfego na entrada de Bangcoc após a lei marcial. Os militares também tomaram posições em alguns cruzamentos e diante das estações de televisão, mas o movimento continuou normal na maior parte da cidade.
Protestos
Manifestantes pró e antigoverno estão acampados em lugares diferentes na capital e, para evitar confrontos, o Exército disse que eles têm de ficar parados.
O Exército também ordenou que 10 canais de televisão por satélite, pró e antigoverno, interrompessem a transmissão.
Para aliado EUA, não foi golpe de Estado
Os Estados Unidos, aliados militares da Tailândia, consideraram que a lei marcial imposta na madrugada de ontem pelo Exército tailandês não pode ser considerada golpe de Estado, já que está prevista na Constituição do país asiático, comunicou o governo norte-americano. A porta-voz do Departamento de Estado, Jennifer Psaki, recomendou, entretanto, que os militares tailandeses, que mobilizaram suas tropas em Bangcoc e censuraram os meios de comunicação, respeitem as instituições democráticas do reino.