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Funcionários, professores e estudantes da USP entram em greve na terça

Folhapress
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Professores e funcionários da USP iniciam greve por tempo indeterminado na próxima terça (27) contra a proposta da reitoria de congelar a discussão sobre reajuste de salários ao menos até setembro.

 

A decisão foi tomada nesta quarta (21), após votação em assembleias.

 

Nesta quinta (22), servidores de Unesp e Unicamp, as outras duas universidades estaduais paulistas, também votam o indicativo de greve.

 

Os servidores pedem 9,78% de aumento, correspondente à inflação (6,78%) e outros 3% para fazer a recomposição de perdas históricas.

 

Tradicionalmente, a reposição salarial ocorre em maio --em 2013, foi de 5,39%.

 

De manhã, em reunião com representantes dos servidores, o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) decidiu protelar as discussões sobre reajuste para setembro ou outubro. O órgão diz que o gasto com a folha de pagamento está acima do adequado.

 

Esta é a primeira vez que os professores da USP entram em greve por aumento de salário em dez anos. Em 2004, a reitoria não concedeu reajuste aos docentes, que pararam por 65 dias.

 

Houve outras duas paralisações, mas não por questões salariais: em 2007, contra decreto do governo do então governador José Serra que, alegavam, tirava a autonomia das universidades; e, em 2009, contra a presença da Polícia Militar dentro do campus da Cidade Universitária.

 

A Adusp (Associação dos Docentes da USP) acredita que a maioria dos professores vai aderir ao movimento --tradicionalmente, as greves na universidade começam com baixa adesão, mas acabam ganhando força.

 

"A maioria esmagadora dos docentes votou pela greve", diz Francisco Miraglia, secretário do órgão. "A greve é um processo que se estabelece. Pela unidade até agora, acreditamos que essa será uma das greves mais fortes."

 

Serviços de saúde

 

Segundo o Sintusp (Sindicado dos Trabalhadores da USP), os serviços de atendimento médico ao público, como o Hospital Universitário, devem aderir aos poucos.

 

"O Hospital Universitário fará reuniões por turnos com os funcionários, mas o indicativo é de greve", diz Magno de Carvalho, diretor da entidade.

 

Segundo ele, a paralisação nas unidades de saúde não afetará serviços de emergência e urgência. O cancelamento de consultas e de cirurgias eletivas deve ser feito de maneira progressiva.

 

Reitores alegam falta de dinheiro para dar reajuste

 

O Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) afirmou, em nota, que o comprometimento do orçamento com a folha de pagamento das três universidades passou do adequado.

 

De acordo com os dirigentes, ele deveria estar próximo dos 85%, mas está em 105,33% na USP, de 95,42% na Unesp e de 97,33% na Unicamp.

 

Os servidores discordam. Segundo Francisco Miraglia, coordenador do Fórum das Seis (entidade que agrega sindicatos das três universidades), existe verba para dar o reajuste.

 

"Está previsto no orçamento da USP um ganho financeiro de R$ 185 milhões em 2014. Esse valor paga aumentos salariais por sete meses", diz.

 

Após o fim do período, seria preciso um aumento no repasse do ICMS para 11,6% --quota destinada às universidades é de 9,57%.

 

Para Miraglia, houve falta de planejamento dos reitores, uma vez que as universidades cresceram desde 2005 e não tiveram recursos adicionais. "Há uma grande quantidade de dinheiro que entra via ICMS e os reitores não enfrentaram essa questão."

 

Ele alega que os servidores não podem ter salários congelados porque os dirigentes não se prepararam.

 

Segundo os reitores, os reajustes acima da inflação concedidos nos últimos anos, além de contratações, são os fatores que mais pesaram no aumento das despesas.

 

Na USP, desde 2011 havia a previsão de usar reservas orçamentárias para cobrir gastos com salários.

 

Estudantes da USP fazem passeata e decidem aderir a paralisação

 

Um grupo de estudantes da USP decidiu aderir a greve de professores e funcionários da universidade a partir da próxima terça-feira (27). Os alunos também fizeram uma passeata em direção à estação Butantã. Por volta das 21h, o grupo estava na avenida Vital Brasil, próximo à estação.

 

Cerca de 600 estudantes, segundo o DCE (Diretório Central dos Estudantes), fizeram uma assembleia antes da passeata e decidiram entrar em greve em apoio aos professores e funcionários. As duas categorias são contrárias à decisão da Comissão de Reitores, que decidiu adiar as negociações de reajuste salarial.

 

Já a passeata até o metrô Butantã acontece em apoio à paralisação dos motoristas e cobradores de ônibus, que é considerada "legítima" pelo grupo, segundo Arieli Moreira, estudante de letras e membro do DCE.

 

A decisão da noite desta quarta ainda será apresentada em assembleias em cada uma das faculdades da universidade.

 

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