Os funcionários da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) entrarão em greve, por tempo indeterminado. A decisão, que inclui os docentes da instituição, foi tomada em assembleias realizadas no início da tarde desta quinta (22).
Os docentes da universidade pública de Campinas (a 93 km de SP) vão cruzar os braços na próxima terça (27), segundo reunião da Adunicamp (Associação dos Docentes da Unicamp). Já os demais trabalhadores da Unicamp param suas atividades a partir desta sexta-feira.
Os servidores são contra a proposta dos reitores das três universidades estaduais paulistas -USP, Unesp e Unicamp- de não conceder reajuste salarial à categoria neste momento.
Nesta quarta-feira, funcionários e docentes da USP (Universidade de São Paulo) já haviam aprovado paralisar totalmente as atividades a partir de terça (27). Horas depois, um grupo de estudantes da universidade decidiu aderir à greve e fizeram uma passeata em direção à estação de metrô Butantã, próxima ao campus da zona oeste. Docentes de alguns campus da Unesp também aderiram à greve. Os docentes de Bauru decidiram que o início da greve no campus será nesta segunda-feira (26).
Segundo o coordenador do STU (Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp), João Raimundo Mendonça de Souza, 51, a assembleia aprovou a greve com poucas abstenções e nenhum voto contrário.
O objetivo da greve é mostrar que "os reitores precisavam voltar à mesa de negociações e apresentar uma proposta que reponha as perdas salariais", disse Souza.
O sindicato prevê uma adesão de 70% dos trabalhadores -com exceção da área de saúde da universidade.
Cerca de 500 funcionários e cem professores participaram das assembleias, segundo os respectivos sindicatos. A Unicamp possui atualmente 1.739 docentes e 7.878 servidores, além de 18.026 alunos na graduação e 22.824 na pós-graduação.
ZERO DE REAJUSTE
Em reunião com representantes dos servidores das três universidades, o Cruesp (entidade que representa os reitores de USP, Unesp e Unicamp) decidiu prorrogar as discussões sobre aumento salarial para setembro deste ano, embora a data-base da categoria seja maio -em 2013, o reajuste foi de 5,39%.
Os dirigentes universitários alegam que o comprometimento do orçamento com folha de pagamento já está acima do adequado. Deveria estar próximo dos 85%, afirmam, mas está em 104,22% na USP, 94,47% na Unesp e 96,52% na Unicamp.
Eles dizem que só poderão voltar a negociar em setembro, após reavaliação dos repasses que as universidades receberão do ICMS, o principal imposto estadual, que financia a educação superior no Estado.