A junta militar que derrubou o governo na Tailândia dissolveu neste sábado (24) o Senado e anunciou que vai assumir o Poder Legislativo.
De acordo com um comunicado oficial divulgado pela TV, o Senado foi destituído. “O chefe (da junta) aprovará agora qualquer lei pendente no Parlamento ou no Senado.”
O Exército da Tailândia deu na quinta-feira um golpe de Estado, dois dias após declarar lei marcial sob o pretexto de solucionar uma crise política - o país vive mais de oito meses de protestos antigovernamentais.
A ex-primeira-ministra do país, Yingluck Shinawatra, foi presa na sexta-feira.
Segundo os militares, para “manter a paz e a ordem” Shinawatra, intelectuais, políticos e ativistas foram convocados a comparecer perante a nova autoridade.
O grupo estaria em um “lugar seguro” - uma base militar em Bancoc.
Diversos países condenaram o golpe. Os EUA suspendeu US$ 3,5 milhões em ajuda militar ao país e está avaliando congelar outros US$ 7 milhões. Além disso, o país também recomendou a seus cidadãos que reconsiderem qualquer viagem não essencial à Tailândia.
O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, já havia advertido que o golpe teria “implicações negativas” na relação dos dois países.
PROTESTOS
Centenas de tailandeses se reuniram ontem para se manifestar em Bancoc contra o golpe de Estado no país. Ao mesmo tempo, movimentos populares convocam novos protestos, mesmo com a proibição decretada pela junta militar.
Os manifestantes se concentraram diante de um centro comercial no norte da capital, onde pediram a realização de eleições. Mensagens como “levem o golpe para os quartéis, devolvam o poder ao povo” eram exibidas em cartazes.
Soldados tentavam dispersar os manifestantes, que responderam com vaias. Os militares que evitaram o uso da força.
As pessoas se dispersaram depois das ameaças dos militares de realizar detenções por violação à lei marcial, segundo o jornal “The Nation”.
Mesmo assim, manifestantes seguem convocando protestos e pedindo participação popular em outras concentrações na capital.
Manifestações contra o golpe começaram na própria quinta-feira, logo depois da tomada de poder pelos militares. Na sexta, protestos renuíram dezenas de pessoas no distrito comercial de Bancoc, onde cinco foram presos.