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Campos aos domingos

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 1 min

Um homem no banco da praça com o cigarro entre os dedos: é Paulo Mendes Campos na foto sem cor, mineiro de fevereiro que viveu no Rio de Janeiro. Escreveu como poucos brasileiros. Foi um padre que anteviu: "Esse menino ainda será escritor".

Catou milho em máquina de escrever, mas logo tratou de acelerar. Quase foi dentista ou médico, mas não iria contrariar a previsão de autoridade religiosa. Em 1945, fim da Grande Guerra, rumou ao Rio em busca de paz e poesia. Conheceu lá o poeta Pablo Neruda, e por ali mesmo ficou.

Foi Paulo fiscal de obras, lançou primeiro livro em 1951, casou e teve dois filhos, veio mais uma publicação; virou tradutor, outro livro; e tomou ácido lisérgico antes dos Beatles. E dá-lhe prosa e poesia, sempre com impacto e elegância.

Lembro da coleção "Para Gostar de Ler". Eram crônicas incríveis que espero rever. Paulo Mendes Campos, um dos três grandes cronistas até hoje, foi nome de ouro dessa coleção voltada a adolescentes. Nunca realmente saiu da lembrança.

Durante a semana, numa espera de consulta, voltei a ler sobre peculiaridades do autor do livro/conto "O Cego de Ipanema". Paulo, que partiu aos 69 anos, em 1991, segue vivíssimo em qualidade.

Li em algum lugar que Paulo Mendes Campos tinha o domingo como inspirador. Trecho a seguir resume bem. Aproveitemos: o Paulo, o dia e o texto. "Só o domingo não é um dia da semana / Só o domingo é alto e anterior ao calendário / Só o domingo pertence ao que é invisível ao homem / Só o domingo se põe como um cavalo vermelho / Sobre as nuvens do Rio de Janeiro".

O autor é editor executivo do JC

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