O Banco Central deve interromper nesta semana a trajetória de elevação na taxa básica de juros, iniciada em abril do ano passado. Para os analistas ouvidos pela entidade no Boletim Focus, divulgado semanalmente, o Copom (Comitê de Política Monetária) deve decidir pela manutenção da Selic em 11% na reunião desta quarta-feira (28).
Mais um aumento está previsto para o segundo semestre, o que levaria a taxa básica para o patamar de 11,25% ao final do ano. A redução dos juros se tornou uma importante bandeira do governo de Dilma Rousseff após de chegar a 7,25% em 2012, o menor nível já registrado.
O cenário de inflação elevada e o fim da política de estímulo nos EUA, contudo, forçou o Banco Central a iniciar um novo ciclo de aumentos, com nove altas seguidas.
Selic
A Selic é usada como instrumento para influenciar a atividade econômica e, consequentemente, a inflação. Quando o Copom do Banco Central aumenta a Selic, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso gera reflexos nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Cabe ao BC perseguir a meta de inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A meta tem como centro 4,5% e limite superior em 6,5%. De acordo com a projeção das instituições financeiras o IPCA pode ficar muito próximo do teto da meta, em 6,47%. Essa foi a segunda alta seguida na estimativa. Na semana passada, a previsão era 6,43%. Para 2015, a projeção foi mantida em 6%.
A pesquisa semanal do BC também traz a mediana das expectativas para a inflação medida Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), que passou de 6,87% para 6,83%, em 2014, e segue em 5,50%, em 2015. Para o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), a estimativa foi ajustada de 7,11% para 6,97%, este ano, e em 5,50%, em 2015.
A estimativa da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) passou de 5,94% para 6,10%, este ano, e de 4,8% para 5%, em 2015.
A estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país, foi ajustada de 1,62% para 1,63%, este ano, e de 2% para 1,96%, em 2015.
A projeção para a cotação do dólar permanece em R$ 2,45, em 2014, e em R$ 2,51, no próximo ano.