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Problemas respiratórios afetam 675 pacientes ao dia

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Reprodução Internet

Nesta época do ano, são cerca de 1.350 pacientes atendidos a cada dia no Pronto-Socorro Central (PSC), Pronto-Atendimento Infantil (PAI) e Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs)

A chegada do frio aplaca o desconforto e a irritação dos dias quentes, mas traz consigo um problema grave. É nesta época do ano que aumentam os problemas respiratórios, que sobrecarregam a rede pública de saúde e deixam doentes, principalmente, crianças e idosos. 

 

Somente nas seis unidades de urgência e emergência do município, cerca de 675 pacientes ao dia (50% do total) apresentam sintomas de problemas respiratórios, a maioria relacionada à gripe. Também aumentam, no entanto, casos de resfriados, sinusite, bronquite, rinite, pneumonia e até síndrome respiratória aguda grave por Influenza (H1N1).

 

Mas, até o momento, nenhum caso desta última doença foi registrado. Dos nove casos suspeitos e analisados, todos deram negativo, embora outros três ainda aguardem resultado de exame.

 

Diretor do Departamento de Urgência e Emergência (DUE), da Secretaria Municipal de Saúde, Luiz Antônio Sabbag explica que, quando as temperaturas caem, o volume de pacientes que procuram as ajuda médica com infecção de vias aéreas cresce de 35% para 50%. 

 

“Em algumas épocas mais críticas, o pico pode ser ainda maior. Mas não aumenta a quantidade de pacientes nas unidades, e sim o perfil do doente, ou seja, a proporção de pessoas com problemas respiratórios”, pontua.

 

Nesta época do ano, são cerca de 1.350 pacientes atendidos a cada dia no Pronto-Socorro Central (PSC), Pronto-Atendimento Infantil (PAI) e Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs). Deste total, em média, 675 foram acometidos por infecções nas vias aéreas.

 

Causas

 

De acordo com Sabbag, diversos fatores contribuem para a mudança dos números, incluindo a alternância brusca de temperatura em um mesmo dia, a ausência de chuvas, o maior tempo de permanência das pessoas em ambientes fechados e a menor ingestão de água. “O líquido é muito importante para fazer o nosso sistema imunológico funcionar”, observa.

 

Também por conta do frio, janelas e portas tendem a ficar por mais tempo fechadas. E, quando há uma pessoa doente no local, as chances de outras serem contaminadas cresce exponencialmente quando o ar do ambiente não é renovado. 

 

“A pessoa também fica mais vulnerável por conta da variação de temperatura, que chega a mais de dez graus num mesmo dia”, pontua a infectologista Maristela Pastore. Ainda de acordo com a médica, a ausência de chuvas favorece a permanência de um volume maior de micro-organismos no ar, o que também contribui para infecções.

 

Segundo Maristela e o diretor do DUE, idosos e crianças são os mais vulneráveis aos problemas respiratórios. Somente no PAI, cerca de 150 pacientes são diariamente diagnosticados com infecções das vias aéreas. Na tarde de ontem, mesmo com quatro  médicos trabalhando, a unidade estava lotada de pais com seus filhos no colo.

 

Alerta 

 

Embora nenhum caso de síndrome respiratória aguda grave por Influenza (H1N1) tenha sido registrado neste ano em Bauru, as equipes de médicos e enfermeiros já estão em alerta sobre os procedimentos a serem adotados para o diagnóstico e tratamento adequado da população. Nos casos suspeitos, além da realização do exame, o tratamento com fosfato de oseltamivir (princípio ativo do Tamiflu) já é iniciado. 

À população, a recomendação é procurar atendimento médico rapidamente quando houver manifestação dos principais sintomas - febre, em geral alta, dor de garganta, tosse, coriza, dor de cabeça, na musculatura ou nas articulações e, especialmente, falta de ar. 

 

Vacinação: prazo final

 

Pessoas que pertencem aos chamados grupos de risco - crianças de seis meses a 2 anos incompletos, gestantes, adultos acima de 60 anos e seus cuidadores, pessoas obesas, doentes crônicos e profissionais da saúde – que ainda não se vacinaram contra a gripe devem procurar uma unidade básica de saúde o quanto antes para se proteger. A imunização, que foi prorrogada, se encerra nesta sexta-feira. 

Além da vacinação, algumas medidas podem ser tomadas para a prevenção da síndrome respiratória aguda grave por Influenza (H1N1). Entre elas, a Secretaria Municipal de Saúde destaca a importância de lavar as mãos várias vezes ao dia; não tossir ou espirrar sem utilizar a proteção de lenços descartáveis e evitar permanecer em locais fechados com aglomeração de pessoas. 

 

Madrugada mais fria do ano

 

A previsão do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp era de que a madrugada de hoje fosse a mais fria do ano, com registro de 12 graus. Com os ventos alcançando 30 quilômetros por hora durante a madrugada, a sensação térmica poderia chegar a 8 graus. Até então, a menor temperatura de 2014 havia sido registrada no dia 12 de maio: 13,2 graus. Mas, apesar do recorde, o frio volta a dar trégua a partir de hoje, com a redução gradativa da nebulosidade. 

 

A mudança é resultado de um sistema de alta pressão com massa de ar frio e seco, que garantirá uma semana com tempo estável, predomínio de sol, poucas nuvens e sem chuvas. A partir de amanhã até sábado, as temperaturas mínimas deverão oscilar entre 13 e 15 graus durante a madrugada e as máximas, entre 25 e 26 graus ao longo do dia.

 

‘Na minha família, todo mundo já ficou doente’, relata dona de casa

 

Casada e mãe de quatro filhos, a dona de casa Clarete Santos, 40 anos, relata que, na sua casa, todos já tiveram algum problema respiratório neste mês, desde que o tempo começou a esfriar. Ontem, foi a vez de levar o caçula, Mateus, 2 anos, para uma visita ao médico do Pronto Atendimento Infantil (PAI).

 

“Ele está com dor de garganta, tosse e coriza, mas sem febre. Todo ano, quando muda o tempo, ele fica assim. E a gente também. Meu marido e meus outros filhos (de 17, 16 e 6 anos) ficaram doentes há pouco tempo. O de 6 anos, inclusive, ainda está se recuperando de uma gripe”, comenta.

 

Assim como Clarete, a dona de casa Dayane Garcia, 26 anos, aguardava atendimento no PAI, mas para dois filhos doentes: Lucas, 11 anos, e Pedro, 1 ano. 

 

Nesta segunda-feira (26), a recuperadora de crédito Beatriz Cardoso Miranda, 19 anos, também levou o filho Gustavo, 1 ano, à unidade. Com dificuldade para respirar e tosse, o menino dividia com a mãe o desconforto característico da gripe. “Ontem (anteontem), eu que precisei passar pelo médico no PSC, porque estava sentindo a garganta inflamada, coriza e dor no corpo”, relata.

 

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