Douglas Reis |
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Houve confusão na tentativa de eleição para a diretoria do Sindluz |
Não ocorreu a eleição que escolheria a nova diretoria do Sindicato dos Empregados na Geração, Transmissão e Distribuição de Eletricidade do Município de Bauru, marcada para esta terça-feira (27). As cédulas que seriam utilizadas na votação foram rasgadas e espalhadas ao chão em frente à sede da entidade, na rua Nilo Peçanha. Houve tumulto generalizado e acusações de agressão física.
Representante da Chapa 2, Aílton Ricardo da Cruz foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ele relata ter sido agredido com murros e empurrões por seguranças contratados pela comissão eleitoral, cujo comando é supostamente ligado à Chapa 1.
“Eram mais de 20 e, em decorrência da confusão, minha pressão caiu. Ainda estou no Pronto-Socorro Central”, disse o eletricitário ao JC, na tarde de terça-feira.
Por outro lado, o candidato a presidente da Chapa 1, Francisco Wagner Monteiro “Chicão”, acusa Aílton de ter agredido Sônia Maria da Cruz, mesária da eleição, que registrou queixa à Polícia Civil por meio de boletim de ocorrência.
“Eles se esqueceram de que está tudo gravado pela câmera de segurança. Ele roubou a pasta com o material para a eleição”, observa.
O sindicalista Eliseu Pedro Felício, que encabeça a Chapa 2, admite que seu grupo foi responsável por inviabilizar o pleito. “O Aílton, que é nosso representante na comissão eleitoral, queria a comprovação de que todos os 267 associados que estavam na lista eram aptos para votar. Depois disso, ele foi expulso do sindicato e foi vítima das agressões”.
Antigo
Ambas as chapas são, oficialmente, vinculadas à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e seus líderes ao PT de Bauru. O sindicalista Jesus Garcia é o principal articulador da Chapa 2, apesar de não integrá-la formalmente.
Esse grupo venceu a eleição realizada em 2012, anulada pela Justiça do Trabalho, que nomeou como interventor no comando do sindicato Orivaldo Luis Peregrino, ligado à chapa adversária.
“Ele [o interventor] convocou as eleições só quando Justiça obrigou. Desde então, ele fez a mágica de filiar novos 110 associados, a maioria deles aposentados, que não faz parte do sindicato o tempo necessário para ter direito a voto”, acusa Eliseu, candidato a presidente da entidade pela Chapa 1.
Interferência
Ele afirma ainda que os novos filiados pela direção interventora do Sindluz tiveram suas contribuições pagas pelo sindicato que representa a categoria em Campinas, do qual Orivaldo e outros membros da Chapa 1 integram a diretoria. “Alertamos a CUT. Não pode acontecer isso. Eles querem usar o poder financeiro para controlar a categoria em Bauru”, pontua o candidato.
Seu rival, Chicão – que é coordenador da central sindical na região de Bauru – afirma que a atual diretoria apenas garantiu o direito de filiação aos aposentados e outros trabalhadores, que, até então, eram impedidos de se associarem. “O pessoal de lá quer um sindicato formado apenas por funcionários da CPFL, onde eles têm maioria”.
Partidário
Chicão afirma também que a Chapa 2 é movida por interesses de disputas partidárias. “Eles são ligados ao comando da Macrorregional do PT [presidida por Everton Rodrigues de Matos, que é associado ao Sindluz], ao núcleo sindical do PMDB e ao deputado federal Arlindo Chinaglia (PT), que organizou sua turma para agir aqui. Eu também sou do PT, mas um sindicato não pode servir como correia de transmissão de partidos políticos”, disparou.
Assessor de Chinaglia, que sequer pertence à categoria de eletricitários, Luciano Assis estava na sede do sindicato no momento da confusão, mas nega interferência do parlamentar no processo. “Ele não tem nada a ver com isso. Estou aqui para dar uma força para o meu companheiro Everton, coordenador da Macro do PT”.
Sem prazo
Presidente da comissão eleitoral, Luiz Henrique de Sousa nega qualquer ligação ou favorecimento à Chapa 1, como insinuam membros da Chapa 2. “Conheço o pessoal dos dois grupos porque represento a Federação dos Trabalhadores da Indústria de Energia Elétrica de São Paulo”, garante.
Ele afirma que a atitude de um dos integrantes da Chapa 2 foi inesperada. “Foi uma lambança. Diante disso, não teve como dar continuidade à votação. Mesmo que tivéssemos saído do sindicato com o material, eles encontrariam uma forma de inviabilizar o processo”.
Segundo Sousa, não há prazos para que haja nova eleição. A legislação estabelece tempo máximo para a convocação de nova votação quando o número de participantes do pleito não atinge o quórum.
“Não foi o caso. Então, ainda vamos marcar uma nova reunião com a comissão eleitoral para decidir o que será feito. Outra eleição pode ocorrer em 30 dias ou até mais tempo. A questão é que, hoje, não temos as condições de segurança necessárias para isso”.
Douglas Reis |
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A Polícia Militar (PM) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados |