Bairros

Os excluídos do PAC do Asfalto

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

“Virou uma ilha. Estamos no meio de bairros que já estão pavimentados. Nos sentimos isolados e abandonados pelo poder público”. Essa afirmação reforça a indignação dos moradores do Jardim Solange, que ficou fora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Pavimentação. Há 10 anos no local, o aposentado Wilson Lacerda já se mostra desacreditado.

“É sempre a mesma coisa. É só chover um pouco e ninguém consegue andar por aqui. O que a prefeitura gasta com caminhões de terra para remediar o problema daria para asfaltar três vezes o bairro”, critica Lacerda.

Conforme o Jornal da Cidade divulgou na semana passada, Bauru perdeu 101 quadras de asfalto que faziam parte do programa federal. A maior parte das perdas foi provocada por falhas referentes às demandas no Santa Cândida e no Tangarás 

O dinheiro que sobraria das obras destes dois bairros seria destinado para a pavimentação de 79 quadras do Jardim Solange. Agora, contudo, o bairro foi tirado do programa, pois a verba não pode ser realocada.

Porém, o bairro deve ser asfaltado, mas com verbas de emendas parlamentares e recursos da própria prefeitura. A obra está prevista para 2015 (leia mais ao lado).

A informação da exclusão do Jardim Solange do PAC Pavimentação gerou revolta nos moradores do bairro que, mais uma vez, voltou à estaca zero. A leitora Maria Gomes, 69 anos, desabafou na tribuna do leitor do JC, cujo texto foi publicado na última sexta-feira. Gomes cobrou medidas dos vereadores que representam a região e questionou: “Até quando vou ter que enfrentar a poeira, o barro, os buracos, e tudo o que a falta de asfalto acarreta?”

A reportagem do JC percorreu o bairro e encontrou pontos quase que intransitáveis, além de barro e muitos buracos nas ruas. Na quadra 18 da rua Alaska, o comerciante João de Almeida, proprietário de um bar há 25 anos, lamentou a queda nas vendas.

“Cai cerca de 80% o movimento do meu estabelecimento, porque ninguém consegue chegar no bar. Os motoristas precisam se aventurar para percorrer as ruas e muitos ficam pelo caminho”, lamenta.

Almeida afirma que o impasse é antigo e que já perdeu a esperança de, um dia,  ver as ruas pavimentadas. “Muita gente nem imagina o que é morar em rua de terra. É um desafio por dia. Sempre tem promessa dos políticos para asfaltar aqui, mas nunca é cumprida”, reclama.

Prejuízo

A cerca de duas quadras do bar de Almeida, um jovem fazia uma análise minuciosa em seu veículo. Porém, a cena era de lamentação. “Faz um ano que moro no Jardim Solange e já precisei trocar uma peça do carro. O prejuízo foi de mais de R$ 150,00”, contou o professor de natação, Matheus Concuruto Fogaça, 25 anos. Na rua em que ele mora, o maior desafio enfrentado pelos motoristas é justamente não “cair” nos buracos.

“Esses dias, choveu um pouco e meu carro ficou atolado na calçada. Passou a noite na rua e só consegui tirá-lo da lama no outro dia, quando o trator da prefeitura jogou terra na rua. Como faz se tiver uma emergência?”, questionou.

Ainda segundo Fogaça, “não existe meio termo”. “Em tempos de seca, fica uma poeira enorme aqui. Muitas pessoas com problemas respiratórios passam apuros”.


Quem tem problema respiratório sofre mais

Um menino de 10 anos trava uma luta diária contra a poeira. Com problemas respiratórios – bronquite alérgica -, Leonardo Aparecido Dungui sofre com a falta de pavimentação no Jardim Solange. Frequentemente, precisa “visitar” uma unidade médica.

“Ele é alérgico a pó e é o que mais tem aqui. Ele sofre muito e passa mal direto”, contou a mãe de Leonardo, Mara Elisa da Silva Dungui, que vive há 12 anos no bairro. Para amenizar o sofrimento, a criança conta com a ajuda de uma bombinha de asma, cujo medicamento tornou-se seu companheiro inseparável.


2015

O Secretário municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, prevê a pavimentação do Jardim Solange, porém, a obra deve ser iniciada somente no ano que vem. “Parte dos recursos do bairro ainda está no PAC, mas os custos foram divididos também por emendas parlamentares e recurso próprio. A previsão, contudo, é para que o asfalto saia em 2015”, explicou.

Rodrigues acredita que as emendas devem ser liberadas após as eleições deste ano. Em relação aos recursos da prefeitura,  a questão já  estaria sendo debatida. “Alguns  vereadores já sugeriram através da Lei Diretrizes Orçamentária (LDO)”, finalizou Rodrigues.

 

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