O novo presidente eleito da Ucrânia, Petro Poroshenko, quer assinar um acordo de comércio histórico com a União Europeia logo depois da sua posse como chefe de Estado, informou o seu gabinete ontem, depois que autoridades do bloco europeu insinuaram que poder haver algum atraso na assinatura.
O acordo de comércio proposto esteve no centro da crise política da Ucrânia nos últimos seis meses, já que o ex-mandatário Viktor Yanukovich recusou o acordo no último momento em favor de uma aproximação maior com a Rússia.
A sua decisão de esnobar a UE e buscar um resgate financeiro de 15 bilhões de dólares com Moscou desencadeou os protestos que levaram à sua deposição.
Poroshenko, um bilionário dono de uma marca de chocolate que venceu de forma inédita no primeiro turno da eleição presidencial ucraniana no domingo, prometeu alinhar sua ex-república soviética de 45 milhões de habitantes com a União Europeia.
“Petro Poroshenko considera essencial não adiar a assinatura da parte econômica do acordo de associação entre Ucrânia e União Europeia”, declarou o seu gabinete em um comunicado. “Na sua opinião, tal assinatura poderia ocorrer imediatamente depois da posse do novo presidente da Ucrânia”. A data da cerimônia ainda não foi marcada, mas deve acontecer em meados de junho.
Mais cedo ontem, um oficial da UE disse que as autoridades ucranianas indicaram ao bloco de 28 nações que precisaria de “um pouco de tempo para ver como querem proceder (com o acordo de comércio com a UE)”.
Autoridades do bloco disseram que Poroshenko sentiu que precisava de algum respiro para lidar com os problemas internos da Ucrânia e não quer parecer que foi forçado a assinar o acordo prematuramente.
Rússia alerta para ‘guerra fratricida’
O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, acusou ontem os países ocidentais de empurrar a Ucrânia para uma “guerra fratricida” e repetiu o pedido de Moscou de encerramento das ações militares do governo provisório ucraniano contra os separatistas pró-Rússia. As declarações de Lavrov seguem a tendência russa de culpar os Estados Unidos e a União Europeia pela turbulência na Ucrânia, onde forças do governo mataram dezenas de rebeldes na província oriental de Donetsk no súltimos dias. Ontem, cerca de mil mineiros do setor de carvão fizeram uma manifestação em apoio aos separatistas armados pró-Rússia que estão combatendo forças ucranianas em defesa da chamada “República Popular de Donetsk”, no leste do país.