O Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre cresceu 0,2% frente aos últimos três meses de 2013, quando havia registrado uma alta de 0,4%. Já em relação ao período de janeiro a março de 2013, a alta foi de 1,9%, inferior aos 2,2% do quarto trimestre nessa mesma base de comparação. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o crescimento do PIB no primeiro trimestre, de 0,2%, ficou um pouco abaixo da expectativa do governo, que projetava expansão de 0,3%. Mantega afirmou que os juros mais altos e a inflação causaram a queda no consumo das famílias, o principal componente do PIB pelo lado da demanda.
O combate à inflação por meio das elevações da taxa básica de juros tornaram o crédito bancário mais caro e escasso, reduzindo o poder de compra das famílias. “Tivemos um crescimento da massa salarial de 4% nos últimos doze meses,e isso nos dá um potencial de consumo que está sendo segurado pelos juros bancários”, disse o ministro.
Mesmo assim, Mantega vê como “producente ao crescimento” a estratégia do governo no combate à inflação, com maior esforço monetário - a taxa básica de juros atual está a 11% ao ano-, embora com poucos freios fiscais. “Os juros são um remédio necessário para conter a inflação. Infelizmente, os efeitos são esses. À medida que a inflação cair, haverá uma retomada do consumo.”
Ele também culpou a economia internacional para justificar o baixo crescimento do País no primeiro trimestre. Para Mantega, a retração da economia mais dinâmica do momento, a dos EUA, indica ainda uma incerteza no cenário externo. No primeiro trimestre,o PIB americano encolheu 0,2% ante os últimos três meses do ano passado.
“A Europa também demonstra um crescimento pequeno. O cenário internacional nos foi desfavorável e influenciou o baixo crescimento do primeiro trimestre”, afirmou o ministro.
Ele conclui que o segundo trimestre será melhor, com a estabilidade cambial e a volta da confiança nos países emergentes. “Desde dezembro do ano passado, quando o Fed (BC dos EUA) começou a reduzir os estímulos à economia, houve uma crise de confiança que abalou a Bolsa e o câmbio. Agora, essa volatilidade já foi controlada.”
“Os fluxos de capitais e investimentos estrangeiros voltaram”, complementou.
Outro argumento utilizado pelo ministro para justificar o baixo crescimento foi a seca atípica do início do ano, que atrapalhou o agronegócio. “Esperamos uma recuperação da produção agrícola no segundo trimestre”, disse.