Política

Chinaglia defende a Dilma austera

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 3 min

A respeito da presidente da República, Dilma Rousseff (PT), muito se fala sobre o perfil técnico, distante do debate político. Essa característica é apontada, inclusive, como o estopim da recente crise entre o Palácio do Planalto e alguns partidos da base aliada. Vice-presidente e líder do governo na Câmara Federal até o início deste mês, Arlindo Chinaglia (PT)  garante que a fama atribuída à presidente não corresponde à realidade.

O parlamentar afirma que Dilma recebe diretamente seus apoiadores. “Acontece que, quando ela se senta à mesa de negociação, ela debate o mérito das demandas e, dessa maneira, se expõe como presidente. Como essa não é nossa cultura política, isso gera atritos. Mas eu entendo isso como uma qualidade, embora ela pague um preço por isso”, avalia.

Chinaglia confirma, porém, que a presidente, errando ou acertando, tem negado concessões a determinadas nomeações pleiteados por apoiadores do governo. ”Ela tem uma atitude severa permanentemente. Mas, ao mesmo tempo, é muito generosa. Pela força do cargo que ocupa, poderia não participar dos debates, enviando ministros como seus representantes; ou então, receber as informações e apenas decidir. Mas não. Ela discute”, pontua.

Apesar de descontruir a imagem disseminada de Dilma, o deputado petista reconhece que, de maneira explícita ou não, partidos da base se sentiram pouco atendidos pelo governo, seja na forma de emendas, de cargos, definição de políticas públicas ou pela falta de diálogo. “Isso aconteceu porque, no final do passado, havia uma rotina de discussões com a participação da presidente e, depois do recesso parlamentar, houve certa ruptura”, justifica.

Arlindo deixou a liderança do governo para assumir a vice-presidência da Câmara Federal em função da renúncia do deputado André Vargas (PT), acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef. “Apesar de eu não ser mais o líder, ainda sou bastante requisitado para discutir questões estratégicas. Em todos os partidos, existem as lideranças formais e as informais”.


Eleição

Chinaglia minimiza a tendência de queda nas pesquisas eleitorais da presidente Dilma, aparentemente estancada de acordo com o último levantamento do Ibope. “Primeiro que ela caiu pouco se for considerada a avalanche de notícias negativas envolvendo o governo. E, agora, voltou a subir três pontos”.

Por outro lado, os principais adversários da petista, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), apresentaram crescimento maior. “Não vamos entrar com salto alto na disputa, mas estamos seguros. Quando começar a campanha, vamos ter muito o que mostrar, enquanto há um vazio no discurso da oposição”.

Para exemplificar seu argumento, Chinaglia aponta o apego – chamado por ele de oportunista - do pré-candidato tucano ao programa Bolsa Família, marca do governo do PT. “O Campos, por sua vez, diz que vai reduzir a inflação a 3%, mas, em função do cenário atual, não conta que, para isso, o nível de emprego precisa cair. A inflação existe, hoje, por causa da influência externa e do aumento da demanda por consumo no País”.


Força-tarefa

O vice-presidente da Câmara Federal adianta que, nas duas próximas semanas, o Congresso concentrará esforços para votar matérias importantes, em função da interrupção ou redução no ritmo dos trabalhos, provocadas pela Copa do Mundo, recesso legislativo e campanha eleitoral.

Na última semana, os deputados aprovaram o texto principal do Plano Nacional de educação (PNE). O desafio, agora, será votar os destaques do projeto. “Um dos pontos divergentes gira em torno do estabelecimento de metas para a Educação, do ensino básico ao superior. Não há consenso nem no PT”, conta Chinaglia, favorável à proposta.

 

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