Bairros

Cidade convive com árvores memoráveis

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

Há um consenso para o bem: as árvores são uma necessidade no planeta Terra. Sem elas, nem o planeta como o conhecemos existiria. E nos dias de hoje há outra premissa incontestável: elas são necessárias para vencer o caos urbano em que as cidades se transformaram. E são fundamentais para as vastas regiões agrícolas. Não há como duvidar: a arborização é um santo remédio para a vida moderna. 

 

Árvores são capazes de amenizar as altas temperaturas, deixam o ambiente mais úmido, o que melhora a respiração (ambientes muito secos são uma das causas de  doenças respiratórias). Elas também absorvem o dióxido de carbono, integrante crucial da poluição e maléfico especialmente quando há mudança climática, e reduzem os poluentes da atmosfera. E não é só: até diminuem a poluição sonora, sabiam? 

 

Moradores de cidades verticais - como Bauru tem se transformado nos últimos anos - sofrem mais com o barulho quando vivem em apartamentos longe de locais arborizados. O som se propaga com maior facilidade se o ambiente for árido. Com elas, o som é mais abafado. Resultado: não apenas se respira melhor, dorme-se melhor também.

 

Cidade saudável

 

Afinal, por melhor que seja a gestão de saúde de uma cidade (o que não é sempre o caso) não dá para fugir da premissa: uma cidade saudável se constrói com árvores. E, alto lá! Não é necessário que haja prejuízo de calçadas, porque as novas espécies escolhidas para arborização urbana já não têm essa tendência. E mais: os especialistas refutam a tese de que as folhas entopem os esgotos e causam as famosas enchentes. Ao contrário, quanto mais árvores, maior absorção da água da chuva e, portanto, menos essa água escorrerá e haverá menor número de enchentes, porque o acúmulo das folhas nas bocas de lobo será menor, claro.

 

E nos dias de hoje também, até mesmo as companhias de eletricidade incentivam plantio de espécies de pequeno porte sob suas redes. Pode-se, sim, ao contrário do que se imagina, plantar árvore embaixo de cabo elétrico, desde que seja de pequeno ou médio porte, com manejo adequado e podas constantes para não alcançar os fios. Esse manejo deve ser feito pelo proprietário de cada imóvel. 

 

Todas as companhias de eletricidade sofrem com galhos que tocam ou caem sobre os cabos, ou mesmo as quedas de árvores. Essas são uma das principais causas de corte de energia nos grandes centros urbanos. Por isso, as próprias empresas promovem constantemente podas drásticas nas de grande porte. Podas que devem ocorrer sem comprometer a saúde e a estrutura da árvore.

 

Questão de segurança

 

Os técnicos da Semma lembram que os jardins estão mudando. Não há mais grandes árvores na frente das casas e as plantas são em sua maioria rasteiras com meros adereços paisagísticos. É o sinal dos tempos. Os antigos pomares deram lugar a piscinas, gramados e plantas rasteiras. E na frente o paisagismo pede arbustos, e não mais árvores. Há uma explicação: a segurança. Quando os jardins e pomares eram verdadeiras florestas, permitiam que pessoas ficassem escondidas. “Hoje há plantio, mas o que se quer é ver quem está presente”, lembra Luiz Fernando.

 

Bauru arborizada

 

Hoje Bauru é uma cidade muito mais arborizada que ontem, garantem os técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), Claudio Sampaio e Luiz Fernando Silva. Claudio Sampaio, que é diretor do Departamento Zoobotânico da Semma, lembra que não se corta árvore no município facilmente, só quando representa risco. E ainda assim, cada árvore derrubada é reposta.

 

Atualmente, segundo ele, nenhuma casa tem seu projeto aprovado “se não houver uma árvore plantada no imóvel”. Ou seja, arborização é condição fundamental para a urbanização.

 

Há outro consenso, este para o mal: elas produzem resíduos, sujam as calçadas, não é fácil varrer e recolher folhas todos os dias, as suas folhas entopem os esgotos e não raro suas raízes quebram as calçadas e elas dão trabalho para serem conservadas. 

 

Os técnicos concordam que isso ocorre. Mas refutam com um argumento incontestável: “Goste ou não de ter uma árvore frondosa em frente à sua casa, é difícil quem não concorde que uma cidade arborizada é muito melhor, diz Luiz.

 

Claudio aponta uma medida fácil para conter o avanço das raízes: basta plantar e colocar uma “grade arvoreira”, que retém a água da chuva e propicia o crescimento das raízes sem agredir o solo e as calçadas. Luiz Fernando Silva ressalta que as espécies plantadas nos dias de hoje são escolhidas para causar “o mínimo de dano possível”.

 

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