A Virada Cultural Paulista 2014, em Bauru, terminou com a verdadeira música de raiz, o esperado show de Almir Sater. Mesmo com frio e leve garoa, aproximadamente 16 mil pessoas de diversas idades foram ao Parque Vitória Régia, segundo a Secretaria Municipal de Cultura e a Polícia Militar. Durante a tarde, teatro, dança e espetáculo circense aconteceram no Sesc e no Teatro Municipal.
Quem passou pelo Vitória Régia neste último dia de Virada Cultural apreciou música de boa qualidade, com a apresentação de Lucas Santtana e Jorge Mautner ao final da tarde, além de muito colorido de balões infantis (que estavam à venda), brinquedos infláveis para os pequenos e até malabares com claves.
O grupo Malabares Bauru, que se encontra tradicionalmente às 15h dos domingos no próprio parque, estava no evento mostrando um pouco de sua arte. “O nosso grupo sempre está aqui aos domingos praticando os malabares com claves e bolinhas. Também ensinamos as pessoas que aparecem no parque e se interessam pela arte”, explicou o integrante Maikon Pereira, 24 anos.
Estilo Almir
As amigas Rita Arroyo e Eliza Pereira foram à Virada especialmente para assistir ao show de Almir Sater. Rita aproveitou o clima frio para acrescentar um chapéu ao seu figurino, em homenagem ao cantor. “Nós viemos para ver o show do Almir Sater, eu amo as músicas dele”, disse Rita.
Rock x viola
Quando era adolescente, o estilo de música preferido de Rodolfo Pereira, 30 anos, era o rock’n roll. Apesar dos pais e avós terem nascido na zona rural e a sua referência musical ser as tradicionais “modas” de viola caipira, este não era o estilo musical que lhe atraía.
“Eu sempre gostei de música raiz porque meus pais e avós sempre ouviam muito. Mas eu até ficava enjoado de ouvir o mesmo estilo sempre, então procurei algo diferente: me encontrei no rock. No entanto, quando meu avô José Alves morreu, há nove anos, alguma coisa mudou dentro de mim, então comecei a ouvir as músicas que ele gostava, em forma de homenagem: me apaixonei”.
O rock ainda está no coração de Rodolfo, mas hoje quem lhe acompanha é a viola caipira, que estava nos seus braços ontem, à espera de um autógrafo de Almir Sater. “Eu comecei a fazer aulas há três meses, estou aprendendo ainda, mas quero me aperfeiçoar. O Almir Sater é uma das minhas referências junto do Tião Carreiro, entre outros”, completou o jovem.
Tranquilo
O tenente Lucas Freitas, comandante da Polícia Militar no evento Virada Cultural 2014, definiu o evento como tranquilo. “Não teve nenhuma desordem ou ocorrências de vulto que atrapalhassem o andamento do evento. Foi bem tranquilo”.
Dever cumprido
Para o secretário municipal de Cultura, Elson Reis, a sensação é de dever cumprido. “Deu tudo certo, não choveu forte durante o evento e estimamos que aproximadamente 16 mil pessoas vieram só para o show. Durante o dia passaram por aqui cerca de 22 mil pessoas. O evento foi tranquilo, com muitas atrações renomadas e de público formado. Esperamos agora o próximo ano”, finalizou.
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Fotos/Malavolta Jr. |
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Mesmo com frio e leve garoa, aproximadamente 16 mil pessoas prestigiaram o show |
No Sesc, ‘Bichos do Brasil’ uniu dança, música, teatro e emoção
Imagine um cenário repleto de animais da fauna brasileira, que interagem com o público e até se “alimentam” de outros bichos em pleno palco até explodirem. Quem passou ontem à tarde pelo Sesc durante a Virada Cultural pôde conhecer um pouco mais sobre o universo dessa bicharada do Brasil, em um espetáculo que uniu dança, música e teatro.
“Ele ficou gordinho”, contou Flora Corrêa, de 2 anos, referindo-se ao jacaré. Faminto, o réptil saiu à caça e, depois de comer vários animais menores, inclusive um porco-espinho, se deu mal e explodiu. Além do jacaré, tomaram conta do palco do Sesc onças e galinhas gigantes, tucanos, peixes, macacos, tartarugas e tatus.
“A Virada acrescenta espetáculos que, comumente, a gente não vê, como esse, que tem bichos brasileiros, é colorido e tem bichos gigantes. A Flora ficou num misto de medo e paixão”, revela João Corrêa, pai da pequena. “A gente vem todo domingo assistir teatrinho com ela e tem plano de formar uma espectadora”, complementa a mãe, Flávia Asbahr.
As coreografias, encenadas por artistas do Grupo Pia Fraus, tiveram como pano de fundo clássicos da música nacional, como Garota de Ipanema e Samba do Arnesto, além do frevo, ritmo tradicional brasileiro. Sem conseguir desviar o olhar dos animais, Maria Alice, de três anos, disse à reportagem que havia gostado da onça e do jacaré.
“Ela está super atenta. Ela vai identificando cada um dos animais, vai vendo o que eles estão fazendo, vai descrevendo e vai imitando”, entrega a mãe, Ilana Cabral, que também levou a filha Ayla Maria, de 1 ano, para assistir ao espetáculo. “Ela acabou vendo um pouco de teatro, música e dança. São coisas que ela gosta muito”.
Atores da peça ‘700 Mil Horas’ brincam com o tempo e a falta dele
A peça de teatro “700 Mil Horas”, da Companhia Luis Louis, encenada no Teatro Municipal, satirizou a relação que o ser humano mantém com o tempo (ou com a falta dele). Em uma hora de espetáculo, os atores mostraram de forma divertida como uma pessoa divide as 700 mil horas de sua vida (média de expectativa de vida).
Além de cronometrar horas gastas com desejos reprimidos, sonhos, medos, solidão, amores, trabalho e até lembranças do passado, a peça faz uma crítica à constante tentativa de enganar o tempo e às horas desperdiçadas com a televisão e com a superficialidade dos relacionamentos nas redes sociais.
Os biólogos André Giles e Sarah Cassa elogiaram os conceitos discutidos pelo espetáculo. “Eu achei bem interessante”, diz André.
A peça também foi bastante elogiada pelas amigas Juliane Noviscke e Natália Forato. “É bom para a cultura da nossa cidade”, definiu Juliana. Ao final da apresentação, o público foi surpreendido com a interpretação da música “O Que Você Faria”, de Paulinho Moska. O grupo propôs uma reflexão sobre o cada um faria se lhe restasse apenas 30 segundos de vida.
Ira! planeja CD ao vivo para marcar retorno
A banda Ira! já pensa em gravar um álbum ao vivo da recém-iniciada turnê que marca o retorno da banda. O show na Virada Cultural de Bauru, na madrugada de domingo, foi o terceiro de um total de 40 - antes haviam tocado apenas em São Paulo e Campinas. Desfeito em 2007 por desavenças entre seus fundadores, o Ira! voltou agora justamente com o “núcleo base” de sua formação original: o guitarrista Edgard Scandurra e o vocalista Nasi. “Justamente por conta do retorno estamos dando um tempo em projetos paralelos. Talvez venha por aí um álbum ao vivo desse recomeço”, diz Scandurra.
Nasi fez questão de elogiar o público de Bauru. “A gente se sente em casa quando toca aqui”. Já o baixista Daniel, filho de Scandurra, avaliou o show de Bauru como o melhor até agora. “Foi aquele em que deu tudo certo”.

