Polícia

"Assalto" por telefone

Bruna Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Uma nova modalidade de extorsão é investigada pela Polícia Civil. A vítima, uma atendente de lotérica, localizada entre as áreas Centro e sul de Bauru, foi coagida pelo telefone. O criminoso dizia que estava com a arma apontada para ela e a obrigou a efetuar cinco depósitos de R$ 1,5 mil cada.

 

O suposto golpe ocorreu por volta das 17h30 de segunda-feira (2), quando a funcionária de 36 anos atendia um cliente no caixa do estabelecimento comercial. Segundo consta em boletim de ocorrência (BO), o telefone tocou, a vítima atendeu e uma voz masculina começou as ameaças.

 

“Isso é um assalto. Estou com uma arma apontada para a sua cabeça, estou te vendo, você está atendendo uma pessoa vestida com roupa florida e vai fazer tudo o que eu mandar, senão eu atiro em sua cabeça”, disse o criminoso.

 

Intimidada, a funcionária acabou fazendo cinco depósitos usando, possivelmente, o sistema da casa lotérica. O direcionamento foi a diferentes contas, nos valores de R$ 1,5 mil cada, totalizando R$ 7,5 mil.

 

Em seguida, o criminoso ainda pediu para que ela efetuasse saques em determinados valores, que ele passaria na casa lotérica para buscar. 

 

No entanto, ela conseguiu entregar um bilhete para um cliente pedindo socorro e a polícia foi acionada. Os policiais foram até a agência, mas o criminoso não foi localizado. A vítima não quis falar com a reportagem na tarde desta terça-feira (3).

 

Mutação

 

O delegado Kleber Granja, do setor de investigações gerais da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru, explica que a principal hipótese é de que não se trata de um roubo real. Para ele, seria um golpe, que chegou depois da “onda” dos falsos sequestros.

 

“Esses criminosos acabam fazendo mutações dos delitos. As ideias vão surgindo para o mal e eles vão colocando em prática. É uma nova modalidade de golpe. Antes, eles falavam assim: ‘estou com a sua mãe sequestrada aqui’. Agora, o que diferencia um pouco é o fato de a vítima ter afirmado que a pessoa disse que estava visualizando ela, descrevendo, inclusive, roupas”, frisa Granja.

 

O delegado ainda aponta para a possibilidade de a vítima ter fornecido informações, sem perceber, ao criminoso. “Pode ser que ela mesma tenha descrito algo a partir da conversa com o autor”, disse.

 

Investigação

 

A Polícia Civil já começou as investigações tratando o caso como extorsão: uma modalidade de crime contra o patrimônio tão grave quanto o roubo, segundo o delegado Kleber Granja. Os comprovantes de depósito feitos pela atendente foram apreendidos. “A investigação vai caminhar para tentar identificar quem foi o beneficiado dos depósitos. A possibilidade de serem ‘contas fantasmas’ é de quase 100%. É um golpe. Embora o crime seja de extorsão, o indivíduo não ia praticá-lo ali, dizendo que ia ainda buscar o dinheiro. O que interessa para ele é o depósito fraudulento”.

 

Informações disponíveis pela Internet ‘ajudam’ criminosos

 

Kleber Granja salienta que o criminoso acaba induzindo as vítimas a darem certas informações específicas sem que elas percebam. Muitas vezes, segundo o delegado, as primeiras “dicas” são conseguidas através da própria internet.

 

“Eles vão induzindo: você está com uma camiseta, sentada no caixa. O criminoso, mesmo preso, está com celular e tem acesso a informações na internet. Ele começa a pesquisar um ramo de estabelecimentos em Bauru. Depois, consegue informações de funcionários, uniformes. Hoje, os domínios de rede sociais, internet, são instrumentos para o crime, e os bandidos sabem se apropriar disso”.

 

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