Alam Vianna/Divulgação |
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Policiais militares em frente da fazenda São João do Tibiriçá ocupada pelos sem-terra no sábado |
Pelo menos 250 pessoas ocupam a fazenda São João do Tibiriçá no município de Gália desde sábado (7). A área conhecida como Fazenda dos Ingleses abrigou uma enorme estrutura no período áureo da cafeicultura no século passado. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) alega que a fazenda é improdutiva e as terras seriam devolutas, pertencentes ao governo federal.
A Ouvidoria Agrária do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) deve visitar a fazenda hoje, segundo a assessoria de imprensa do órgão a pedido dos sem-terra.
O grupo se intitula pertencente ao Assentamento Dom Tomás Balduíno. A ocupação da fazenda foi pacífica no sábado, mas no domingo houve a prisão de um suposto arrendatário de terra que estava com dois revólveres sem porte. Ele esteve na área para tentar a retirada de cabeças de gado e os sem-terra pediram a intervenção da Polícia Militar.
Ao ser abordado, foram encontradas as armas com o homem. O delegado titular de polícia de Gália, Gustavo Danielo Bozzer, informou que o suposto arrendatário foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Ele pagou fiança de R$ 800 e foi liberado. “A arma só não estava legalizada”, declarou.
O JC conversou ontem por telefone com um representante do MST que informou que o objetivo da ocupação é reivindicar a área para reforma agrária. A fazenda estaria abandonada e sendo ocupada por arrendatários que não teriam os títulos de propriedade, segundo o MST.
A reportagem não conseguiu falar com nenhum representante da propriedade.
Segundo relato de Alam Maia Vianna em um blog sobre a ocupação na área, os sem-terra entraram na fazenda por volta das 5h e só havia um caseiro no local. “Na manhã de sábado o acampamento recebeu a visita do arrendatário, alguns ‘amigos’ e de policiais militares. O arrendatário queria pegar um trator, em consenso os militantes do MST falaram que liberavam o trator se ele mostrasse a nota fiscal, só mostrar a nota fiscal. O arrendatário não quis,” conta Alam. Após isso começaram a montar as barracas. Na propriedade há cinco casas abandonadas. “Na sede, incontáveis famílias de morcegos, cupins, e trepadeiras e três caixas de cervejas com todos os fardos vazios, provavelmente de 2004, pois nessa casa tinha uma pasta de dente que a data de validade era de 2004. O restante parecia estar há décadas lá. Praticamente vazia, a não ser o porão, que estava cheio de morcegos e garrafas vazias de todo tipo de bebida. E um talão de cheques de 1971”, contou Alam.
Área foi próspera no passado
No auge da cafeicultura a fazenda São João do Tibiriçá pertenceu à Companhia Agrícola do Rio Tibiriçá, adquirida por grupo de mineiros da Inglaterra. Eles compraram uma gleba de 5.000 hectares e instalaram uma fazenda para produção de café, cereais e algodão. Os moradores de Gália batizaram como a “Fazenda dos Ingleses”.
A propriedade tinha igreja, cinema, armazém, farmácia, clube, serraria, selaria, máquina de beneficiamento, entre outros aparatos que auxiliassem na execução das tarefas do dia a dia.
Passado alguns anos a fazenda dos ingleses se desfez. As terras acabaram sendo vendidas. Segundo Rodrigo Amado dos Santos, Talita Barbosa e Résio Priscila, as cidades que viviam do café, como nos lembrará Monteiro Lobato em “Cidades Mortas”, morreram quando houve outras trajetórias de desenvolvimento.
O relato consta no artigo “O processo de formação sócio-histórico do município de Gália” disponível na Internet. Eles defendem o turismo rural como alternativa para essa região.
Na área também ainda guarda as estruturas de uma enorme capela, cuja fotografia consta nos arquivos do da página “Lugares esquecidos” de Fábio Vasconcelos.
Fábio Vasconcelos/Site Lugares Esquecidos |
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Capela abandonada de São João do Tibiriçá fica na fazenda |

