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Atraso escolar em Bauru diminui e cidade tem índices melhores

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 5 min

Em sete anos, as taxas de defasagem escolar caíram em Bauru, principalmente nas unidades de ensino municipais e privadas, que praticamente conseguiram reduzir os índices pela metade. A chamada taxa de distorção de idade-série refere-se ao percentual de alunos que possuem dois ou mais anos de idade acima da faixa recomendada para a série que ele está cursando. 

 

Segundo dados recentes divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), no Ensino Fundamental (EF), a diminuição foi de 9,5% para 6% e, no Ensino Médio (EM), de 15,9% para 12,8%, considerando instituições de ensino públicas e privadas. O desempenho da cidade foi melhor do que as médias registradas pelo Estado e pelo País (veja no quadro ao lado). 

 

Entre os motivos para explicar o resultado, principalmente na rede pública, está a implantação eficaz de estratégias para redução da defasagem no ensino de crianças e adolescentes que repetiram de ano – e até dos que ainda não foram reprovados – e a expansão do programa  Bolsa Família, que exige dos filhos dos beneficiários frequência na escola. Na rede municipal, a taxa de distorção está intimamente vinculada à demora de algumas famílias em matricular seus filhos nas unidades, segundo afirma a diretora do departamento de Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação, Elisabete Pereira.

 

“Em grande parte dos casos, as taxas se referem a crianças que ingressaram na escola bem depois da idade normal. Mas, o Bolsa Família fez com que a conscientização de matricular os filhos na idade certa aumentasse ao longo dos últimos anos”, pondera. 

 

Retomada

 

Na rede municipal, também é apontada como complemento para o bom desempenho dos alunos a garantia de merenda e de material escolar gratuitos. Na rede estadual, a dirigente regional de ensino, Gina Sanchez, destaca a intensificação de estratégias para retomada de conteúdos assim que se detecta a dificuldade do estudante.

 

“O aluno é avaliado no decorrer de todo o ano, inclusive com a ajuda do professor auxiliar, que é um docente a mais que fica na sala de aula. Assim que ele apresenta uma dificuldade, o trabalho para a superação do problema já é iniciado. O resultado é um índice maior de aprovações”, esclarece.

 

Mas, ainda assim, a defasagem, mesmo que em menor grau, ocorre em alguns casos. Segundo Gina, a explicação está, principalmente, na falta de motivação dos estudantes, seja por problemas de estrutura familiar ou porque precisam ingressar no mercado de trabalho precocemente ou ajudar a cuidar dos irmãos mais novos e dos afazeres domésticos. “O abandono ou o baixo desempenho do aluno acontece quando a própria família não valoriza a escola”, resume.

 

Há de se considerar ainda, em algumas situações, a falta de proficiência do docente e a oferta de uma escola pouco atrativa, que também contribuem para a indisciplina e até mesmo a prática de atos infracionais. São comportamentos que prejudicam o desenvolvimento do aluno e acabam resultando em evasão e repetências.

 

Rede privada: outra lógica

 

De maneira nada surpreendente, a rede privada de ensino registrou os índices mais baixos de defasagem nas escolas em Bauru – apenas 2,6% dos alunos do Ensino Fundamental e 4% dos matriculados no Ensino Médio.

 

“A escola privada é um investimento que os pais fazem. Se o aluno não vai bem e é reprovado, o pai vai tirá-lo da unidade e colocá-lo na rede pública ou então em outro colégio. E a propaganda da escola é o sucesso dos estudantes ao longo do curso até sua aprovação em uma boa faculdade”, analisa o diretor regional do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp), Duda Trevizani.

Além disso, a rede privada possui condições de investir muito mais em infraestrutura, serviços e professores. “Os alunos que vão mal, quase sempre, são os que não estão afim de estudar. Mas há outros casos bastante isolados de alunos que, por exemplo, têm problemas em casa”, cita.

 

Transição escolar tem maior defasagem

 

Os dados do Inep revelam que, tanto na rede estadual quanto municipal, a distorção se agrava no momento em que o aluno passa do quinto para o sexto ano do EF e do nono ano do EF para a primeira série do EM. Na esfera pública, o índice chega a 8,4% no EF e a 19% no segundo grau.

 

A visível elevação no índice de repetência e abandono ocorre porque, tanto no sexto ano quanto na transição para o EM, as aulas passam a contar com um número maior de professores, que lecionam disciplinas específicas e possuem estilos diferentes para ensinar. E, por motivos diversos, muitos alunos não conseguem se adaptar e acompanhar esta dinâmica mais complexa. 

 

“Para que as crianças possam ir se acostumando, na rede municipal, algumas escolas já começam a incluir novas disciplinas a partir do terceiro ano do EF. E, desde o primeiro ano, todas já contam com aulas de arte, educação física e inglês, também ministradas por professores específicos”, observa a diretora do departamento de Ensino Fundamental da Secretaria Municipal de Educação, Elisabete Pereira.

 

Na rede estadual, segundo a dirigente de regional de ensino, Gina Sanchez, os professores do sexto ano do EF e da primeira série do EM também vem sendo melhor preparados para auxiliar os alunos a enfrentar esta transição sem grandes prejuízos. 

 

Elisabete destaca que o índice de atraso também tende a aumentar ao longo da vida escolar do aluno porque, a partir do sexto ano, os pais deixam de acompanhar de maneira sistemática o desempenho dos filhos. Outro detalhe que precisa ser considerado, contudo, é o elevado número de aprovações até o quarto ano, o que permite ao aluno progredir nos estudos com dificuldades de leitura, escrita, interpretação de textos e operações matemáticas simples.

 

Números

 

Segundo dados do Inep, na rede estadual de ensino de Bauru, a taxa de distorção caiu de 10,5% para 7,6% no Ensino Fundamental (EF) e de 17,9% para 15,1% no Ensino Médio (EM). 

Já a rede municipal, que não possui escolas de segundo grau, o índice caiu de 11,7% para 5,4% no EF. Na rede privada, a queda no EF foi de 4,6% para 2,6% e, no EM, de 9,3% para 4%.

 

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