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Otimismo realista

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Em recente encontro de economistas e estudantes de economia em Araçatuba, promovido pelo Conselho Regional de Economia (Corecon), foi discutido o potencial econômico da região centro-oeste do estado de São Paulo. Passando pelo setor de agronegócios, ainda pelo setor industrial chegando ao setor de serviços, os painéis indicaram o momento da economia nacional e ao mesmo tempo o que podemos esperar neste ano desafiador.

O último painel tratou dos cenários macroeconômicos. O colega Heron do Carmo, conselheiro do Corecon e pesquisador da Fipe, pinçou a frase que pode retratar este momento da economia brasileira: otimismo realista. O olhar histórico aponta que o Brasil, mesmo crescendo menos do que desejamos e do necessário, não deixou de crescer. Também foram verificados importantes avanços no tocante à distribuição de renda e melhoria geral das condições sociais das famílias brasileiras.

É certo que os investimentos em infraestrutra não vieram, surgindo gargalos que precisam ser superados, mas o país até que se saiu bem na comparação com outros países. Ao longo de 100 anos o Brasil foi a terceira economia em crescimento média anual. Além do passado, há consenso quanto ao potencial econômico do país. Um mercado consumidor com demanda reprimida. Ascensão social com evidente elevação de renda oferece boas perspectivas para economia nacional.

De certa maneira, estes fatores somados a outros indicam otimismo. O realismo vem de onde? Na necessidade de mudar o rumo das coisas no tocante à condução da política econômica brasileira. Um modelo esgotado. Sem um encaminhando que gere confiança dos agentes econômicos a economia patina. A combinação de inflação elevada, gastos públicos sem austeridade e um setor externo frágil, gera desconfiança, indicando o realismo aqui mencionado. Os recentes números do desempenho econômico brasileiro confirmam as dificuldades por que passam alguns setores da economia. Queda na produção industrial e comércio com vendas menores do que esperava.

Na outra ponta há empresas e empresários confiantes. Sabem que em algum momento a economia vai deslanchar novamente. Trabalham, mesmo em menor ritmo, com projetos de investimentos. Se há um governo com limitações em investir, as parcerias públicas e privadas podem dar velocidade aos projetos de infraestrutura que o país necessita sem que haja estrangulamento das contas públicas.

É este o momento da economia nacional: otimismo realista. Você pode lamentar e ser somente realista ou então arrojar e ser otimista. As duas posições juntas oferecem as condições necessárias para enfrentar os desafios do mercado. Faça sua escolha.


O autor é economista e articulista do JC

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