A inflação está endividando empresas que são o patrimônio do povo. O modelo de desenvolvimento por meio de investimento das estatais já deu o que tinha que dar. Em países sérios, ninguém ala em manter empregos com aumento de inflação. A inflação empobrece o povo. A inflação no Brasil está sendo segurada no grito. Grandes empresas estatais do setor de energia não reajustam seus preços para que a inflação não suba e prejudique o povo. Parece bom para nós. Eu também gosto de encher o tanque do meu carro a preços menores e pagar menos conta de luz. Mas outro dia estava pensando: quem paga o pato? Sim, porque se a Petrobras não reajusta os preços conforme a inflação, leva prejuízo.
Em 2010, a Petrobras valia R$ 380 bilhões. Hoje vale R$ 214 bilhões, uma queda de R$ 137 bilhões ou 43% de seu valor. Além de não aumentar os preços dos combustíveis como deveria, a Petrobras também é forçada a investir bilhões em projetos de desenvolvimento. E se não tem dinheiro entrando no caixa, tem que emprestar. A dívida da empresa aumentou R$ 73 bilhões em 2013, um estouro de 50%. Aumentou seis vezes desde 2007. Segundo informações publicadas pela empresa, aproximadamente 40% dessa dívida é emprestada de bancos. Ou seja, dinheiro gasto com juros bancários, em vez de usar para investimentos e empregos. Pegaram a empresa redondinha e bem administrada e estão esganando a galinha dos ovos de ouro.
A galinha já está azul com falta de ar. No dia 10 de março fez uma megacaptação de US$ 8 bilhões. Megacaptação é uma palavrinha para enganar o povo: na verdade significa endividamento enorme. Essa dinheirama nem entrou no caixa e já sai pelo ladrão: a empresa foi condenada a pagar US$ 8 bilhões em impostos. A Petrobras hoje é considerada a empresa mais endividada do mundo, segundo informa a consultoria Merril Lynch. Suas ações continuam caindo na bolsa. A galinha está cambaleante, com o lombo vergado carregando uma multidão de empregados. Poderia funcionar bem com 60.000 empregados. Tem 260.000. Está com tubos nas veias por onde entra dinheiro emprestado dos bancos, enquanto seus ovos são confiscados para pagar juros da sua dívida.
Não existe mágica: aguardem após a festança da Copa do Mundo. Com seus cargos e salários garantidos depois das eleições, nossos governantes vão apertar o cinto. O nosso, não o deles. O confisco do nosso dinheiro virá, seja por aumento de preços, impostos ou aumento da inflação que corrói nossos salários. Ou os três. Ou alguém duvida que povo sempre paga o pato? O que nunca vimos são governantes serem responsabilizados por arruinar o patrimônio do povo brasileiro.
O autor é colaborador de Opinião