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Carro financiado era moeda de troca

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

“NP”. A sigla em questão pode ser desconhecida pela maioria das pessoas, mas faz parte da rotina de vendedores e revendedores de veículos, cobradoras e até mesmo da polícia. Ela designa os chamados carros “Não Pagos”, que são comprados com nome de terceiros, por meio de financiamentos que acabam não sendo quitados. E era exatamente este tipo de veículo que, segundo a polícia, era utilizado pela a associação criminosa desarticulada ontem como moeda de troca para alimentar o narcotráfico em Bauru e região.

“Identificamos que havia intensa utilização de veículos usados e novos, principalmente financiados, como forma de pagamento pelos entorpecentes. Tanto no comércio local, quanto para garantia de novas remessas de drogas junto aos fornecedores no Mato Grosso do Sul”, comenta Ênio Bianospino, delegado que comandou a operação “Lobotomia“.

Entre eles, a polícia teria identificado um Audi, uma moto Yamaha/R1 e caminhonetes 4 por 4 que teriam sido “trocadas” por remessas de entorpecentes, de cocaína e maconha, durante o tempo de atuação do esquema criminoso em Bauru.

Transporte

Os carros também seriam utilizados como meio de transporte para a droga, que atravessava a fronteiras e perambulava pelas cidades até chegar às biqueiras.

Para se ter ideia, o Elantra e o Sportage, apreendidos pela PF com o grupo ontem, possuem preço de mercado estimado de aproximadamente R$ 100 mil.

A coordenação dessa atividade seria exatamente a função de um dos presos, que era proprietário de uma revendedora de automóveis em Bauru.

O endereço da loja ou a identificação do empresário, contudo, foram mantidas em sigilo pelas polícias Federal e Civil.

Toneladas

Para se ter uma leve dimensão da movimentação da “cooperativa” criminosa, em uma das apreensões realizadas pela polícia, nos últimos meses, um carregamento de aproximadamente 700 quilos de maconha e outro de 90 quilos de cocaína foram apreendidos próximos a Bauru.

Estima-se, portanto, que o grupo chegou a movimentar toneladas de entorpecentes. A quantidade e o quanto o grupo chegava a lucrar com a ação criminosa, no entanto, ainda é alvo de investigação.


 

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