João Rosan |
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“A música é herança de família, e eu toco clarinete” |
Direitor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Bauru desde 2010, Ademir Redondo é o entrevistado de hoje. Apaixonado pela educação e por desafios, ele aponta que sua meta na unidade de Bauru é focar na tradição que a escola tem em formar alunos competidores para a Olimpíada do Conhecimento, evento internacional, denominado WorldSkills. “Esta é a maior competição de educação profissional do mundo e objetiva avaliar e propiciar a melhoria da qualidade na educação profissional”, destaca.
Casado há 31 anos com Cláudia, com quem teve duas filhas: Suélen e Gabriele, Ademir também destaca a sua trajetória profissional, que teve início ainda na adolescência, com um curso profissionalizante em eletrotécnica. Filho de família humilde, ele trabalhava para pagar o curso e ajudar a família. “Costumo usar minha vida para motivar os alunos, pois muitos iniciam suas carreiras com grande dificuldade, principalmente financeira”, conta.
A prática esportiva é hobby, ao lado da música, para o premiado diretor do Senai. Confira.
Jornal da Cidade - O Senai o trouxe a Bauru?
Ademir Redondo - Sim. Eu nasci em Araraquara e estou em Bauru há pouco mais de quatro anos. Nasci em uma família humilde, de pai pedreiro e mãe do lar. Fiz um curso técnico em eletrotécnica com muita dificuldade. Naquela época, eu trabalhava como balconista de restaurante para pagar a escola técnica e ajudar em casa. As coisas só começaram a melhorar quando eu terminei o curso técnico, em 1980. Eu consegui trabalho na Villares, uma grande empresa de Araraquara. E tudo mudou com a experiência que eu adquiri. Em 1986, eu participei de um processo seletivo para entrar no Senai de São Carlos.
JC - Qual foi sua trajetória profissional até chegar a Bauru?
Ademir - Fiquei por cinco anos em São Carlos, até ser transferido para Araraquara. Em 2004, assumi o cargo de coordenador técnico e pedagógico em Presidente Prudente e, em 2007, fui transferido para Jaú. Fiz mais um processo seletivo e fui promovido a diretor e, em 2008, assumi a escola de Bragança Paulista. Em 2010 vim para Bauru, onde dirijo a unidade desde então. Ao todo, são 28 anos de Senai. Fui abrindo o leque, buscando especializações em diversas áreas da educação. No Senai, trabalhamos com o aluno para ele ser multifuncional. Este ano, 97% dos alunos entraram sem emprego e, logo no início do curso, foram contratados pelas indústrias da região. E muitos ainda com 14 ou 15 anos. Ocupar os jovens, tirando-os da ociosidade e muitas vezes da rua e ainda inseri-los no mercado de trabalho é preparar uma base sólida para o país, de maneira geral.
JC - O que é ser educador para você?
Ademir - Eu amo e me sinto gratificado pelo que faço. A maior recompensa de um educador é ver o aluno transformar a sua vida pela educação que recebeu. Eu nunca parei. Estudei pedagogia e engenharia elétrica, com especialização em educação artística, desenho técnico e MBA em gestão estratégica de instituições de educação profissional e tecnologia. Costumo usar minha vida para motivar os alunos, pois muitos iniciam suas carreiras com grande dificuldade, principalmente financeira. Porém, é comum que, ao concluírem um curso profissionalizante e conseguir um emprego na área, esses alunos consigam pagar sua própria faculdade. Minha filha mais nova, Gabriele, seguiu meus caminhos. É pedagoga e adora trabalhar na educação infantil. Outra satisfação na minha vida.
JC - Já recebeu prêmios por seu trabalho?
Ademir - Eu sempre amei desafios e o desenvolvimento de projetos inovadores. Já apresentei, junto com colegas educadores, projetos vencedores de concursos, como o Robô Alpinista, Robô Aranha, Sistema inteligente de drenagem de compressores, entre outros. Até hoje, meu maior desafio foi o projeto de um Papai Noel de quatro metros, que escalou o prédio da Fiesp na avenida Paulista, de 106 metros de altura, no Natal de 2010. Em Bauru, em 2012, graças ao excelente trabalho dos funcionários da escola, eu recebi o título de “Amigo do Bombeiro”. Em 2013 ganhei o diploma de Colaborador Emérito do Exército e, este ano, veio o diploma de agradecimento pelos serviços prestados na preservação da memória e divulgação do verdadeiro sanduíche Bauru.
JC - Qual é o seu desafio na unidade de Bauru?
Ademir - Estou focado em uma atividade já tradicional em Bauru: a preparação de alunos competidores para a Olimpíada do Conhecimento, evento internacional denominado WorldSkills, que é a maior competição de educação profissional do mundo e objetiva avaliar e propiciar a melhoria da qualidade na educação profissional. Em 1995, o Brasil teve o seu primeiro campeão mundial, Anderson Scalassara, que saiu desta escola. Essa é a nossa prioridade. Em 2013, na fase estadual, obtivemos o melhor rendimento entre todas as escolas do Estado de São Paulo. A escola conquistou 11 medalhas de ouro, quatro de prata e três de bronze, entre 43 modalidades. E mais, o aluno Leandro de Carvalho Dias, competidor da modalidade Eletricidade Industrial, obteve a maior nota entre todos os 726 competidores. Este ano haverá a fase nacional da competição e, em 2015, a mundial, que será realizada pela primeira vez no Brasil, no Parque Anhembi, em São Paulo.
JC - Profissionalmente, você tem outra ocupação, além do Senai?
Ademir - Na verdade, tenho uma empresa familiar em sociedade com minha filha Suelen, que é fisioterapeuta e abriu uma empresa na área de estética e cosméticos na cidade de Lins, especializada em saúde e beleza, com cosméticos faciais, corporais e capilares, além da oferta de cursos profissionalizantes. Minha esposa é a responsável pela administração. Essa parceria mantém nossa família ainda mais unida.
JC - E por falar em família...
Ademir - Casei-me com a Cláudia, em Araraquara, há 31 anos, com quem tive duas filhas: Suelen e Gabriele, quando morávamos em São Carlos. Graças à dedicação de minha esposa, que investiu seu tempo na educação e formação das meninas enquanto eu avançava nos estudos e na carreira profissional, nossas filhas têm nos dado muito orgulho e alegria. Só tenho a agradecer a Deus pela família que formamos.
JC - A prática esportiva é um hobby ao lado da música?
Ademir - Na juventude, meu sonho era ser um goleiro dos bons, mas eu percebi que não jogava tão bem quanto o necessário (risos). Hoje faço natação, por gosto e para melhorar a minha saúde. Já a música é herança de família. Meu pai cantava e tocava violão. Meus três irmãos são músicos autodidatas, de ouvido, como costumam dizer. Pegam o violão e saem tocando. Eu precisei estudar as partituras (risos) e toco clarinete.
JC - Apesar dos inúmeros desafios que ainda estão por vir, você se julga um homem realizado?
Ademir - Não posso deixar de agradecer a Deus por tudo o que ele tem confiado a mim. Me deu uma família maravilhosa, um trabalho privilegiado, onde tenho a oportunidade de preparar a juventude para um futuro promissor. Sei de muitos ex-alunos que hoje estão ocupando cargos de destaque em grandes empresas. Outros abriram seu próprio negócio e empregam os alunos das gerações mais novas. Os funcionários do Senai de Bauru são pessoas formidáveis. Dedicados, competentes, comprometidos... Isso tudo me motiva a avançar cada vez mais na formação das pessoas para que tenhamos um mundo melhor.
Perfil
Nome: Ademir Redondo
Idade: 52 anos
Local de Nascimento: Araraquara/SP
Signo: Aquário
Esposa: Cláudia Moura Leite Redondo
Filhos: Suelen e Gabriele
Hobby: Natação e clarinete
Livro de cabeceira: “Executivos e Executivas: Um manual de sobrevivência”
Filme preferido: Gosto de filmes de ação
Time: Palmeiras
Estilo musical predileto: Música clássica
Para quem dá nota 10: Para o diretor regional do Senai, Walter Vicioni Gonçalves, por ser exemplo de dignidade e comprometimento com o ensino de qualidade
Para quem dá nota 0: À violência inserida atualmente na sociedade
E-mail: aredondo@sp.senai.br
