O primeiro contato do radioamador Carlos Roberto Chiquini de Garça (70 quilômetros de Bauru) com o radioamadorismo foi aos 12 anos. Ele ganhou de presente do pai um HT, um rádio barato vendido em lojas comuns. Desde então ele nunca mais abandonou a atividade.
“Meu pai me perguntou o que eu queria de presente de Natal e eu pedi. Depois disso vi uma antena na cidade, que era bastante comum à época, uma vez que não tinha telefonia móvel. O pessoal utilizava muito o radioamador para conversar, especialmente em propriedades rurais. Eu era office-boy no Sindicato Rural de Garça e ficava fascinado quando o pessoal daqui conversava com aqueles que estavam no Estado do Mato Grosso. Eu ficava curioso e fazia muitas perguntas.”
Na buscas por respostas sobre comunicação, Chiquini encontrou Luiz Gotardi, um radioamador antigo da cidade. “Hoje ele mora em Marília. Ele explicou muitas coisas e eu acabei comprando o equipamento dele. Na época era PX, faixa do cidadão, qualquer pessoa pode ter. Instalar em sua casa e operar. PX é diferente de radioamador que depende de provas, exame de telegrafia para ingressar. Fui fazendo exames para a classe C, que é o primeiro ingresso ao radioamador e fiz para a classe B e assim fui. Hoje trabalho com a modalidade de alta fidelidade Wi-Fi, é a mesma coisa que ouvir uma rádio FM.”
O radioamadorismo para ele é um hobby e um instrumento de fazer amigos. “Encontro com os amigos, nos finais de semana, á noite. Nós conversamos. Os jovens conversam pelo Facebook, pelas redes sociais. O mais bacana do radioamador é montar os equipamentos, a antena. Eu tenho homologados mais de 50 países. É uma terapia ocupacional gratificante. Eu tive que fazer curso de inglês para conversar no rádio. O espanhol aprendi narrando e escutando o pessoal falar e querendo falar com eles.”
Ele enfatiza que os encontros de radioamadores são marcados por apresentações. “Tem um encontro nacional e outro internacional que fui duas vezes. Todos estão de crachás com a identificação completa. De repente você conhece pessoalmente aquela pessoa que fala sempre com você. É muito bacana.”
Técnico em eletrônica é um dos mais antigos da região
Rafael Gutierres Neto tem 83 anos e 54 de radioamadorismo. Mora em Lençóis Paulista e é um dos pioneiros da região. Técnico em eletrônica aposentado ele foi aprender a falar inglês por conta do hobby. O espanhol ele aprendeu corretamente por os próprios familiares. “O espanhol eu aprendi em casa. Sou de família espanhola. O inglês aprendi fazendo um curso No Brasil &Estados Unidos. Quis aprender para poder conversar com os radioamadores de outros países.”
O aposentado contabiliza contatos com 200 países. “Tenho amigos no mundo todo. Nós conversamos sempre. Fico sabendo sobre o que está acontecendo na cidade deles, com eles, sobre a saúde deles, da família. É muito bom esse contato.”
A telegrafia com seus códigos facilita a comunicação, na opinião de Gutierres Neto. “Muitas vezes nos falamos usando os códigos. Eu uso o rádio de manhã, na hora do almoço e só. Estou com problemas de visão. Antigamente utilizava mais.”
Ele lamenta que os jovens não acompanhem o mesmo ritmo. “Muitos radioamadores morreram. Outros migraram para a Internet, mas há uma boa parte que continua. As novas tecnologias podem ser aliadas ao radioamador. Moro na área rural e uso bastante, mas meu filho não me seguiu nesse hobby.”