Tribuna do Leitor

Onde a paz se esconde?


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Leitura diária de jornais e revistas era para ele um costume de longa data. Sentia-se uma pessoa razoavelmente bem informada, ou seja, de quase tudo sabia um pouco ? política ? educação ? filosofia - segurança ? religião ? esportes, direitos e deveres. Desde algum tempo essas leituras o incomodavam. Escritores, redatores, jornalistas e o grande público leitor divulgam suas aflições e sentimentos de indignação contra as mazelas da sociedade humana, sejam através das políticas governamentais ou de instituições particulares. Normalmente são análises, pesquisas, queixas ou reclamações. Mesmo reconhecendo uma certa ordem na vida organizacional são raras as publicações elogiosas aos que se destacam na prestação de serviços.


Por sua vez a televisão é sucinta na exposição de um ou outro tema e a sobreposição de outros fatos vai apagando da memória o que seja relevante. Tudo isto faculta ao subscritor meditar sobre as ocorrências no mundo globalizado. Nas ruas observa-se semblantes de intranqüilidade e de medo. O lar, asilo inviolável do homem perdeu a sua paz. Mesmo protegido por câmeras, rolos de arame farpado e cercas elétricas não há garantia de serenidade para o descanso e o sono reparador. Qualquer barulho estranho é causa de inquietação. Sem desejar, convivemos com uma guerra urbana e rural não declarada mas expressa por atos de violência, rebeldia e vandalismo. ? Onde foi parar a Paz? ? Onde a Paz se esconde? ? Estimulado pela memória, lembrou-se de ter aprendido em casa com os pais, na escola com os professores e na vida adulta com as normas sociais de vida e convivência que a Paz somente é encontrada com o inexcedível respeito às leis Divinas ? também chamada de leis naturais e as leis dos homens com seus códigos de ética e de conduta. No silêncio da biblioteca consultou o "Livro dos Espíritos" (Allan Kardec) e em especial o Capítulo VI que trata da "Lei de Destruição" e em seu item 3 no tocante a "Guerras". Neste precioso Livro que é a expressão maior da Filosofia Espiritualista, Allan Kardec leciona: página 395 ? questões 742/743 "A causa que leva o homem à guerra é a predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e transbordamento das paixões. No estado de barbaria, os povos um só direito conhecem ? o do mais forte. Por isso é que, para tais povos, o de guerra é um estado normal. À medida que o homem progride, menos freqüente se torna a guerra, porque ele lhe evita as causas, fazendo-a com humanidade, quando a sente necessária. Na sequência, Kardec esclarece que "a guerra desaparecerá da face da terra quando os homens compreenderem a Justiça e praticarem a lei de Deus. Nessa época todos os povos serão irmãos."


Partindo desta leitura, meditando sobre ela e seus ensinamentos e, se todos os causadores das injustiças e indignações desfraldarem a bandeira da paz, haverá, com certeza, melhoria na faixa moral do espírito. Da mesma forma a sociedade humana que depende sempre da inter-relações com outros indivíduos há de compreender as Leis Naturais, praticar a tolerância, a paciência e a caridade. Esses fatores estão na base de toda sociedade equilibrada, justa e fraterna. A paz, como sabido, é uma questão de cultivo e ela é obtida no dia-a-dia de cada um. Antes de encerrar o despretensioso texto, o nome de Mahatma Gandhi (1869-1948), líder pacifista indiano, precisa ser lembrado. Intelectual privilegiado, com sua aparência de fraqueza, com seu projeto de não-violência, conseguiu mudar as leis sociais no relacionamento da Índia com a Inglaterra. Parece não haver necessidade de ir tão longe para encontrar a paz, aprender com ela e fazer o bom uso.

Roque Roberto Pires de Carvalho

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