Política

Rodrigo: "Bilhete único é inevitável"

Vinicius Lousada
| Tempo de leitura: 5 min

 Éder Azevedo

Audiência pública discutiu ontem o modelo do transporte coletivo

A tarifa de integração paga por usuários do transporte coletivo que precisam tomar um segundo ônibus para chegarem a seus destinos finais – hoje, no valor de R$ 0,70 – pode chegar ao fim em breve. Na audiência pública que discutiu a licitação de 59 linhas de circulares, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) confirmou que o município adotará o sistema chamado de “Bilhete Único”.

O chefe do Executivo disse que a medida é inevitável, por conta da nova modelagem do transporte público, que entrará em vigor, gradualmente, após a conclusão do processo licitatório e do início da operação por parte da empresa que sair vencedora da concorrência.

O novo modelo prevê crescimento significativo da quantidade de usuários que dependerá de integrações. Isso porque, atualmente, mais da metade das linhas são do tipo diametral, ou seja, ligam extremidades da cidade, com percursos médios de 28 quilômetros, considerando a ida e a volta.

Com a mudança, restarão apenas seis dessas linhas, pois o novo modelo priorizará rotas que ligam as demais regiões ao Centro-Sul de Bauru, que recebe 53% do fluxo de passageiros em dias úteis.

Por conta da implantação dessas linhas radiais, os usuários poderão desembarcar na região Central e tomar outro ônibus até seus destinos finais sem pagar valores adicionais por isso.

Essas integrações seriam possíveis em quatro terminais de pequeno porte, chamados de Estações de Conexão. Três deles serão erguidos na Praça do Líbano, Praça Machado de Mello e na região do Estoril. Outro funcionará no Terminal Rodoviário.

Além disso, haverá outros quatro Pontos de Conexão, em locais de grande fluxo de passageiros: no Distrito Industrial, Hospital Estadual, Fórum e Bauru Shopping.


Outorga

As obras de infraestrutura serão viabilizadas por recursos oriundos da outorga onerosa, que será paga pela empresa vencedora do processo de licitação. O valor mínimo ainda não foi definido pela Emdurb e Prefeitura de Bauru.

Na última concorrência pública, em 2009, a Cidade Sem Limites pagou ao poder público R$ 2,6 milhões para operar linhas que englobam 74 veículos. A próxima licitação envolverá número  bem maior de carros: 168, incluindo os reservas e três vans.

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) pontua, contudo, que o valor a ser pago pela concessionária vencedora desse processo não deve acompanhar, proporcionalmente, o montante arrematado pela administração municipal há cinco anos, em razão das mudanças no formato dos contratos para o transporte público, impostas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Presidente da Emdurb, Nico Mondelli esclarece, porém, que a construção dos terminais não exigirá grandes investimentos. “São estruturas simples porque o controle do bilhete único será eletrônico. Fugimos daquele conceito de um grande terminal porque ele já se demonstrou ineficiente em várias cidades”.


Emdurb aposta em subsídio para déficit 

Apesar de ser considerada inevitável pelo Rodrigo Agostinho (PMDB), a implantação do bilhete único impactará, anualmente, em perdas de receita que chegam a R$ 2,6 milhões ao ano. O governo ainda não sabe de que forma esse déficit deverá ser sanado para evitar aumento na tarifa básica, que hoje é de R$ 2,63 quando paga em cartão e de R$ 2,80 quando paga em dinheiro.

“Minha intenção é de que não haja reajuste na tarifa cobrado dos usuários, além do que já pode acontecer em razão do equilíbrio econômico-financeiro anual, para o qual ainda não recebi pedido das empresas”, pontuou o prefeito.

Nico Mondelli sugere que própria administração municipal arque com o custo, como já fez em relação à ampliação do desconto da tarifa para estudantes. “Ainda não há uma definição, mas entendo que, em um primeiro momento, o subsídio público é o caminho. Mais para frente, a gente rediscutiria isso”.

Além do impacto provocado pelo fim da cobrança por tarifas de integração, o custo do sistema do transporte coletivo deve aumentar em mais R$ 1,3 milhão, pois a produção quilométrica mensal deve crescer 7% após a implantação plena da nova modelagem do serviço.


Participação popular

Na audiência pública realizada ontem, na Câmara Municipal, surgiram propostas como a volta dos cobradores ou agentes de bordo aos circulares, bem como a instalação de ar-condicionado nos veículos. Presidente da Emdurb, Nico Mondelli afirmou que todas elas serão analisadas, mas observou que essas exigências afetariam significativamente o valor da tarifa.

Quem não pôde comparecer à reunião, mas deseja apresentar sugestões, pode fazê-lo por meio de uma ferramenta para opiniões e informações, no site da Emdurb: (www.emdurb.com.br).

O canal ficará disponível até a próxima terça-feira, dia 17, e não mais até esta sexta-feira, 13, conforme previsto inicialmente. Todas as opiniões serão analisadas pela comissão que está trabalhando na elaboração do edital do transporte coletivo.


Prazos

A expectativa é de que o edital de licitação do transporte coletivo seja publicado no início de julho e, caso não haja intercorrências, o processo de concorrência deve ser concluído em meados de setembro, já com base no novo Plano de Transporte Coletivo da Cidade de Bauru

Foi no aguardo da realização desse estudo, apresentado em março que o município decidiu prorrogar, até o final do processo licitatório, os contratos com a empresa Grande Bauru, vencido em maio de 2013, e com a Baurutrans, que venceu em fevereiro deste ano.

As 59 linhas que serão licitadas não vão ser divididas em dois lotes. Ao contrário do que ocorre hoje, apenas uma empresa conquistará o direito de operá-las. “Optamos por isso para que não sejam necessárias duas sedes administrativas, duas garagens, o que pode gerar menor impacto no custo de instalação”, diz  o prefeito. Segundo Rodrigo Agostinho (PMDB), esse modelo é falho. “As empresas ganham e, um ano depois, pedem realinhamento. Assim, o valor volta a ser tão alto quanto antes”.

 

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