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A Copa do Mundo e a economia

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

A Copa do Mundo chegou. Afinal, qual a relação deste evento mundial do futebol com a economia? Se voltarmos um pouco no tempo, a maior parte das projeções sobre investimentos no país e, portanto, parte do desempenho econômico do Brasil apontava para os grandes eventos e importantes obras. A Copa do Mundo, as Olimpíadas (que serão no Rio de Janeiro daqui a dois anos), o trem de alta velocidade, entre outros, eram apontados com os grandes alavancadores do desempenho econômico brasileiro. É como se de alguma maneira fossem instalados no país inúmeros canteiros de obras, garantindo a geração de riquezas em toda a cadeia produtiva do país.

Por este prisma, muitas empresas alicerçaram o planejamento de suas atividades contando com este momento, diria, mágico na economia nacional. Prosperidade em perspectiva. No caso específico da Copa do Mundo, a expectativa é que o evento agregasse recursos ao desempenho normal da economia. Seria um momento de vender mais, de motivar o consumidor, enfim, de alavancar os negócios.

Foi isso que ocorreu desde o anúncio que o país seria sede do mundial de futebol até a largada dos jogos que ocorre agora? A resposta é não. O governo federal como um todo e a equipe econômica em específico não souberam tirar proveito deste evento. Inicialmente porque não houve planejamento. Foram 7 anos entre o anúncio que o Brasil seria a sede da copa do mundo até este momento. Tempo mais que suficiente para garantir que o país criasse sinergia, coisas positivas entre o evento e o restante da economia.

O segundo ponto foi a falta de transparência. Não estabelecer um cronograma que ocupasse estes 7 anos passou a impressão que quanto mais perto do evento fossem liberados recursos, menos controle haveria, e mais facilmente os aditivos contratuais seriam assinados. Se analisarmos as cifras previstas e as efetivamente gastas, a constatação infelizmente é esta mesma.

Outro ponto relevante para não extrairmos deste evento o que de melhor ele poderia trazer ao país está ligado à expectativa do legado que seria deixado pelo evento: investimentos em mobilidade urbana, em infraestrutura em aeroportos, entre outros. Tivemos na prática remendos. A própria equipe econômica ao se perder na condução da política econômica nacional não criou condições para que os agentes econômicos pudessem capitalizar com o evento. Enfim, não adianta chorar o leite derramado. O que ocorreu somente reforça a necessidade de pensar este país no longo prazo. Projetos de governo precisam se transformar em projetos de Estado e a infraestrutura interna precisa ser prioridade.

Se quisermos tirar proveito de eventos como o copa do mundo, em seguida as olimpíadas e outros que possam vir, fica a lição: sem planejamento com a devida antecedência o país perderá a oportunidade de tirar o máximo que os eventos podem oferecer. A Copa do Mundo e a economia são sinergéticas, desde que trabalhemos para isso.

O autor é economista e articulista do JC

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