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Seleção Brasileira se supera em campo e vence de virada


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Neymar carrega o peso gigantesco de ser a principal esperança do Brasil na Copa do Mundo. Na estreia, ontem, o craque reagiu muito bem à responsabilidade, marcando os dois gols da vitória de virada sobre a Croácia por 3 a 1, no aguardado jogo de abertura do Mundial, pelo Grupo A, no estádio Itaquerão, em São Paulo. Marcelo fez contra logo aos 10 minutos de jogo, Neymar desempatou em um chute de longe, ainda na primeira etapa, e fez o segundo num pênalti duvidoso sobre Fred.

 

Mas ainda melhor que a de Neymar foi a atuação de Oscar. As principais jogadas do time saíram dos pés do meia, o titular que mais corria risco de perder a posição (para Willian) antes da Copa. Oscar criou a jogada do primeiro gol, deu o passe para Fred ser derrubado na área no pênalti do segundo e, de bico, nos acréscimos, fez o terceiro.

 

A má notícia do jogo é que Neymar acertou uma cotovelada em Modric e levou o cartão amarelo. Se o principal jogador não quiser perder nenhum jogo por suspensão, não pode ser advertido de novo até o fim da primeira fase. Luiz Gustavo também saiu amarelado. A Seleção agora volta ao Rio e de lá segue para Teresópolis. Na próxima terça, o Brasil pega o México, em Fortaleza, às 16h. Já a Croácia enfrenta Camarões na quarta, às 19h, em Manaus.

 

Os lances

 

Os olhos lacrimejando do capitão Thiago Silva no túnel que dá acesso ao campo, o choro incontido de Julio Cesar e a explosão de David Luiz para berrar o Hino Nacional eram demonstrações claras de que a emoção estava à flor da pele do time brasileiro. Porém, de início, a proposta croata é que deu mais certo. Tanto que, aos 6 minutos, Olic cabeceou na área e assustou a torcida - a bola passou raspando a trave. O gol sairia aos 10, depois que Daniel Alves tentou pressionar o goleiro. A jogada foi toda nas costas do lateral. Paulinho, que deveria dar cobertura, errou no bote e deixou o corredor livre para Olic, que cruzou rasteiro. Jelavic desviou de leve e Marcelo acabou fazendo contra.

 

O primeiro gol contra do Brasil na história das Copas causou um choque inicial no time e na torcida. 

 

Aos 22 minutos, Neymar fez linda jogada pela linha de fundo, não conseguiu achar Fred na área, Oscar pegou o rebote e, de esquerda, obrigou Pletikosa a fazer linda defesa. O gol sairia 6 minutos depois, graças a Oscar, que passou por três em um curto espaço de campo e tocou para Neymar. O craque carregou pelo meio, arriscou chute rasteiro da entrada da área e mandou no cantinho esquerdo. O goleiro não alcançou. 

 

Oscar ainda seria protagonista de pelos menos outros três bons lances do Brasil no primeiro tempo.

 

A Croácia voltou do intervalo ainda mais fechada. Em 15 minutos, nenhum chute a gol. Foi a troca de Hulk por Bernard que ajudou o Brasil a chegar ao segundo gol. Isso porque Oscar passou a jogar pelo lado direito e, por lá, armou a jogada e passou para Fred, que recebeu na área e se jogou. O árbitro japonês Yuichi Nishimura viu um pênalti polêmico e ainda deu cartão amarelo para Lovren. Neymar foi para a cobrança, o goleiro chegou a bater na bola, mas não evitou o gol. Ao fazer o segundo, o Brasil finalmente abria a defesa croata. Melhor do jogo, Oscar colocou na cabeça de David Luiz, na pequena área, mas o cabeceio passou raspando a trave. 

 

Em um contra-ataque, Ramires, que havia entrado no lugar de Neymar, roubou a bola e o Brasil fez o terceiro. Oscar recebeu, carregou pelo meio e, da entrada da área, mandou de bico, no cantinho direito baixo do goleiro.

 

Seleção faz apenas cinco faltas na estreia

 

Se os jogos no futebol brasileiro costumam ser repletos de faltas, a Seleção mostrou ontem, na estreia na Copa, que tem um perfil mais europeu, pelo menos no quesito violência. Afinal, o time fez apenas cinco faltas durante os 90 minutos da vitória por 3 a 1 sobre a Croácia.

 

Apesar do número baixo de faltas, foram dois cartões amarelos para o Brasil: Neymar (por uma cotovelada, na única falta do time no primeiro tempo) e Luiz Gustavo. Mais uma advertência na primeira fase e eles ficarão suspensos - os cartões são zerados antes das oitavas de final.

 

Os croatas fizeram 21 faltas (quatro vezes mais que o Brasil), mas nas demais estatísticas defensivas os dois times foram parecidos. Três defesas para cada goleiro e empate também em bolas perdidas (84), enquanto os brasileiros recuperaram duas bolas a menos: 41 a 39. Os croatas roubaram mais bolas, também: 22 a 13.

 

Ofensivamente, o Brasil foi melhor. Liderou em chutes a gol (14 a 10), em ataques perigosos (48 a 39), em cruzamentos (20 a 14) e em escanteios (7 a 3). Também foi melhor na troca de passes, acertando 76% das tentativas, enquanto os croatas tiveram um aproveitamento de 69% das tentativas. Por conta disso, a Seleção Brasileira deu quase 150 passes a mais: 432 a 284.

 

Técnico croata classifica atuação de árbitro de ‘ridícula’

 

Otécnico Niko Kovac não poupou a arbitragem do japonês Yuichi Nishimura após a derrota na abertura da Copa do Mundo. O treinador croata classificou a atuação do juiz de “ridícula” e afirmou que, pela importância, a partida de abertura do Mundial merecia um árbitro “de primeiro nível”.

 

“Não sou o tipo de pessoa que gosta de culpar a arbitragem, mas isso foi ridículo hoje (ontem). Todo mundo que estava assistindo viu que não foi um pênalti. Os meus garotos lutaram por dois anos para chegar à Copa. Eles estavam cansados, trabalharam arduamente, prepararam-se muito. E agora vocês podem imaginar o que eles sentiram no vestiário”, reclamou, diante dos jornalistas na coletiva de imprensa.

 

Para Kovac, o juiz foi parcial ao anotar o pênalti duvidoso sobre o atacante Fred na etapa final. O lance gerou o segundo gol do Brasil, que virou a partida e encaminhou a vitória. “As regras do jogo se aplicam a ambos os times. Devemos respeitar todos. É o que buscamos. Se continuar assim, vai virar um circo”, criticou, insinuando um favorecimento ao Brasil na Copa por jogar em casa.

 

“Eu acredito, na realidade, que não tem nada a ver com esse árbitro em específico. Tem a ver com o fato de jogar no Brasil, de eles serem os grandes favoritos”, disse o treinador, sem esconder o incômodo com o desempenho do árbitro.

 

POR AÍ

 

“Estou orgulhoso pelos meus jogadores. O pênalti foi vergonhoso”, expôs em letras garrafais o periódico esportivo “Sportske Novosti”, um dos principais da Croácia, lembrando as palavras de seu treinador. Também pertencente ao país balcânico, o jornal “24 Sata” foi ainda mais contundente em sua análise do jogo: “Croácia roubada na estreia: Neymar e o juiz nos venceram”.

 

Na América do Sul, a repercussão da vitória brasileira também foi negativa. O argentino “Olé” trouxe consigo a capa “Começou roubando”. Já o uruguaio “Ovación Digital” usou o trocadilho “Presente de boas-vindas” para sintetizar o duelo em Itaquera. Em sua página, o chileno “La Tercera” relatou que os comandados de Luiz Felipe Scolari receberam uma “pequena ajuda”.

 

Por fim, o espanhol “Marca” expôs a manchete “Favor ao Brasil para começar”, onde fez questão de discorrer sobre o “piscinaço” de Fred.

 

Neymar comemora

 

Neymar fez o que se esperava dele e começou com o pé direito a sua trajetória na Copa. Fez dois gols, pulou para 33 com a camisa do Brasil e entrou para o seleto grupo dos 10 maiores artilheiros do time. De quebra, foi eleito o melhor da partida, repetindo as atuações na Copa das Confederações de 2013. “Fazer dois gols numa estreia de Copa do Mundo é muito mais do que eu imaginava”, disse o atacante, reverenciado pela torcida após deixar o campo.

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