Servidores, docentes, técnicos administrativos e discentes encontram-se em greve nas universidades estaduais paulistas (Unesp, USP e Unicamp), em um movimento que demanda reajuste salarial, transparência nas contas das universidades, melhores condições de trabalho, de permanência estudantil e revogação das medidas que criminalizam as reivindicações das categorias. Na Unesp Bauru a greve se iniciou no fim de maio, reivindicando reajuste de 7% da inflação mais 3% referentes a perdas históricas. Até o momento, apesar das várias tentativas que partiram dos sindicatos, não houve efetiva negociação. A reitoria anunciou 0%, congelando os salários, o que representa um ataque aos trabalhadores e à universidade.
Divulga-se à comunidade que as universidades estaduais paulistas se encontram em grave crise financeira e se responsabiliza os salários dos servidores pela situação. Este argumento é inaceitável, pois os números apresentados pelas reitorias não são convincentes e, além disso, a ideia de uma crise financeira leva a engodos como a cobrança de mensalidades, que procuram seduzir a população que financia a universidade e que já tem de arcar com pesadas despesas relacionadas à saúde e à educação. A reitoria da Unesp, ao se recusar a negociar, demonstra sua subserviência à política do atual governo estadual, explicitada pelas políticas desastrosas de ampliação de vagas sem as correspondentes condições materiais e econômicas para uma educação de qualidade. Somos favoráveis à ampliação de vagas, mas o número de alunos de graduação e pós-graduação tem crescido sem a necessária contratação de servidores técnicos e docentes. Entendemos que a universidade é um patrimônio público da sociedade brasileira e que sua utilização para fins privados, partidários e eleitorais é perniciosa e ameaça distorcer suas funções fundamentais de oferecer educação de qualidade, pública e gratuita.
Comando de Greve Unificado
da Unesp/Bauru