Após encontro com a chanceler alemã Angela Merkel, neste domingo (15), a presidente Dilma Rousseff afirmou que a comunidade internacional deve manter a vigilância sobre o tema da privacidade na era digital.
Em novembro do ano passado, os dois países apresentaram às Nações Unidas projeto de resolução antiespionagem, aprovada no mês seguinte pela assembleia-geral da ONU. De acordo com as revelações feitas por Edward Snowden, ex-técnico da NSA (Agência Nacional de Segurança americana), Dilma e Merkel fazem parte da lista de líderes internacionais espionados pelos EUA.
"Os desafios existentes para assegurar a proteção de direitos individuais e democráticos da sociedade de conhecimento requerem um olhar estratégico e atenção crescente da comunidade internacional", afirmou a presidente em declaração à imprensa. Segundo ela, o texto elaborado pelos países e apresentado à ONU foi um "passo importante".
"Essa cooperação pode ser ainda continuada", disse Merkel sobre o tema. "Ficamos de fato muito contentes por termos iniciado uma iniciativa na ONU sobre os direitos das pessoas."
Merkel desembarcou em Brasília neste domingo (15) e após reunião com a presidente Dilma, participa de jantar no Palácio da Alvorada, residência oficial de Dilma. Ela seguirá nesta segunda (16) para Salvador, onde assiste a estreia da seleção alemã na Copa do Mundo, que ocorre contra Portugal.
A mais recente visita de Merkel ao Brasil ocorreu em 2008 - esta é a primeira após obter vitória, com folga, em eleição na Alemanha, em setembro do ano passado. A chanceler já estava no comando da maior economia da Europa há 8 anos e continuará no posto pelo menos até 2017.
Acordo
A "segurança das comunicações eletrônicas" estava prevista na pauta do encontro entre Dilma e Merkel, como divulgou nesta semana o Ministério das Relações Exteriores.
Em sua fala, a chanceler alemã destacou que os países são "parceiros estratégicos" e afirmou que, a partir do próximo ano, haverá consultas governamentais entre os países sobre temas específicos.
Parcerias em educação e energia e o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia também foram debatidos. Dilma reconheceu que o acordo "permitirá ampliar e diversificar nosso intercâmbio comercial".
Ela citou ainda o interesse do Brasil em "aumentar a participação de bens de maior valor agregado na pauta de exportações brasileiras para a Alemanha". "Vou fazer o possível para que se possa dar um passo em frente [na assinatura do acordo], para que não haja entraves", disse a chanceler alemã.
A troca de ofertas entre os blocos estava inicialmente programada para dezembro, mas ainda não há consenso sobre a proposta de Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. A Venezuela ficará de fora.
A intenção é ter uma lista de produtos que contemple ao menos 90% do comércio entre Mercosul e União Europeia.