Economia & Negócios

Dado "apito inicial" para liquidações

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Como já era esperado, o comércio varejista começou a sentir os efeitos da “paradeira” provocada pelo início da Copa do Mundo e já adota medidas para minimizar os prejuízos. Entre as estratégias para atrair a clientela, estão descontos de até 60% nas mercadorias, promoções e facilidades no pagamento.

O impacto vem sendo sentido pelos estabelecimentos da região central antes mesmo do início dos jogos. Segundo o vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Aldemiro José Alves, as vendas na semana que antecedeu o Dia dos Namorados foram 8,5% menores do que as registradas no ano passado.

“E essa queda perdura até agora. Mesmo em dia que não tem jogo do Brasil, o pessoal tem acompanhado as transmissões e acaba saindo menos de casa para consumir. Foi o que aconteceu, por exemplo, neste último sábado”, analisa.

Contribui ainda para a redução no faturamento o fato de o comércio funcionar somente em meio expediente em dias de jogos da Seleção Canarinho. É o que volta a ocorrer hoje, quando o Brasil enfrenta o México, a partir das 16h (leia mais no quadro ao lado).

Faturamento

Segundo dados da Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), os setores já vinham sendo prejudicados desde março. Na região de Bauru, as quedas mais significativas no faturamento foram sentidas nos segmentos de móveis e decoração, lojas de vestuário, tecidos e calçados, concessionárias de veículos e supermercados.

Para tentar contornar esta realidade, segundo o vice-presidente da CDL, os lojistas têm recorrido às ofertas e facilidades de pagamento. “Muitos parcelam em até dez vezes sem entrada. Com exceção das lojas que vendem aparelhos de televisão e produtos típicos da Copa, todo mundo tem buscado saídas para atrair os consumidores”, reforça.

Descontos

Mas até mesmo camisetas da Seleção vendidas no comércio popular já podem ser encontradas por valores mais em conta. Entre os ambulantes, a peça de tamanho infantil, que era vendida a R$ 25,00, já é comercializada por R$ 20,00.

Ainda no setor de vestuário, as coleções de inverno também já são oferecidas com descontos em alguns estabelecimentos, antes mesmo de a estação mais fria do ano começar. Nos dois shoppings de Bauru, uma rede de lojas de departamentos lançou uma promoção no dia seguinte ao início da Copa.

Até o dia 22, além de poder aproveitar descontos de até 60%, os clientes que efetuarem compras a partir de R$ 150,00 receberão um crédito de 10% sobre o valor da compra, para ser utilizado na próxima visita à loja, entre 7 de julho e 31 de agosto. “Outra alternativa encontrada pelos estabelecimentos foi a instalação de telões para a transmissão dos jogos e a criação de pontos de encontro para troca de figurinhas do álbum oficial da Fifa”, comenta Américo Cardinale, coordenador da AD Shopping, administradora do Bauru Shopping.

De acordo com ele, as lojas também se esmeram na decoração verde-amarela, como forma de estimular as compras em um momento em que a população está envolvida emocionalmente com a Seleção Brasileira. “Até mesmo as lojas que não comercializam artigos relacionados à Copa estão tematizando bastante com as cores e símbolos brasileiros”, acrescenta.

 

Telona

No Boulevard Shopping Nações, o Cinépolis irá exibir 25 jogos da Copa, entre eles os da Seleção Brasileira, e também as partidas das eliminatórias. Os bilhetes custarão R$ 25,00, cada, e quem optar por comprar pela internet pagará mais R$ 3,61 pela taxa de serviço.

Segundo a gerente de marketing Boulevard Shopping Nações, Mayla Amorim, este será a único atrativo diferenciado do complexo de compras durante a realização do Mundial. “Até pelo fato de as lojas estarem registrando bons resultados nas vendas, não há previsão para qualquer tipo de promoção específica para este período”, frisa.

Ainda de acordo com ela, os descontos ofertados por alguns estabelecimentos, como é o caso de uma grande loja de departamentos, integram calendários individuais e não guardam relação com qualquer queda global de faturamento.


Efeito prolongado

Embora a realização da Copa do Mundo seja um componente importante para a queda nas vendas, o economista Mauro Gallo destaca que a economia já vinha sofrendo um processo de desaquecimento. Com a consequente queda na produção industrial, criou-se uma atmosfera de insegurança quanto à manutenção dos empregos, o que levou os trabalhadores a adotarem uma postura de cautela.

“As pessoas, em geral, estão consumindo menos. E esta situação vai se prolongar até depois da Copa, pelo menos até as eleições (em outubro), quando um novo cenário político e econômico pode vir a se desenhar”, analisa.

 

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