Fotos/Éder Azevedo |
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Jabuti foi encontrado dentro de saco de lixo, no Jardim América |
Um jabuti com idade avançada foi encontrado vivo, dentro de um saco de lixo, durante a recolha de resíduos orgânicos realizada pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), no Jardim América. O animal estava desidratado e com a saúde debilitada, provavelmente, por ter passado horas preso dentro do saco, exposto ao calor e em meio ao lixo.
O réptil foi resgatado por volta das 11h30 de segunda-feira (16), pelo coletor de lixo Jheison Peter. A situação em que o animal foi encontrado deixou os servidores estarrecidos. Não foi possível, no entanto, identificar o endereço exato do local onde ele foi abandonado, já que a presença do jabuti somente foi notada quando ele estava prestes a ser jogado dentro do caminhão, junto a outros sacos de lixo.
“Ele só foi salvo porque os coletores perceberam que o saco mexeu e resolveram abrir. Do contrário, o bicho seria esmagado vivo pelo compactador do caminhão de coleta”, observa o encarregado do setor de coleta da Emdurb, André Luís da Silva Bilche.
Terceira vez
Segundo ele, esta é a terceira vez que um jabuti é localizado nessas condições no Jardim América, em oito anos. “O mais recente havia sido encontrado no ano passado e, agora, mais este”, relata.
Gerente de resíduos sólidos especiais e do aterro sanitário da Emdurb, a bióloga Alessandra Pinezi informou ainda que uma cobra píton também já foi localizada viva em meio ao lixo, há alguns anos. “Estes ainda tiveram a sorte de serem resgatados pelos coletores. Mas e os animais que não resistem e morrem antes, sufocados? Será que algum animal que não conseguiu se mexer para ser identificado morreu prensado pelo compactador do caminhão?”, questiona ela, indignada.
Virou Xicão
O jabuti recebeu o nome de Xicão e foi levado até a Diretoria de Limpeza Pública da Emdurb. Posteriormente, deveria ter sido encaminhado à Policia Ambiental, mas André, sensibilizado com as condições precárias do bicho, decidiu levá-lo para ser examinado por um veterinário que cuida de animais silvestres.
“Antes dei um banho no jabuti, que estava todo sujo com as próprias fezes, e ofereci água. De tão desidratado, ele mergulhou dentro do pote. E acho que só recusou comida porque estava muito estressado”, relembra.
Segundo o servidor da Emdurb, o médico confirmou que Xicão estava com quadro de desidratação e orientou para que ele seja submetido a uma dieta alimentar especial - a base de arroz cru, cenoura, ovo cozido e banana - para que se recupere.
Por esta razão, o animal permanece na residência de André. Em algumas horas, a pitbull Mel, que pertence ao servidor, já tentava interagir com o novo morador da casa.
Responde por maus-tratos até quem ferir cobra peçonhenta dentro de casa
Se identificada, a pessoa que descartou o jabuti dentro do saco de lixo poderá responder por crime de maus-tratos. Ela ainda está sujeita a ser penalizada pela posse não autorizada de um animal nativo da fauna brasileira.
Segundo a Lei nº 9.605, a pena pelo “ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos” é de detenção de três meses a um ano, além de multa.
Na prática
“Mas, na prática, o acusado acaba respondendo pelo crime em liberdade, e a pena acaba sendo convertida em sanções alternativas, como prestação de serviços à comunidade. Infelizmente, a legislação ambiental ainda é muito branda”, analisa o comandante da 2ª Companhia de Polícia Ambiental de Bauru, capitão Nilson César Pereira.
Já a manutenção em cativeiro sem a devida autorização ambiental, assim como o abate de animais nativos, é punida com pena de seis meses a um ano de detenção. “E isso vale até mesmo para uma cobra peçonhenta que venha a invadir a residência de alguém. Nesses casos, o recomendado é acionar a Polícia Ambiental ou Corpo de Bombeiros para efetuar a captura com segurança e a soltura em local adequado”, orienta.
Destino incerto
A Emdurb informou que comunicou a Polícia Militar Ambiental sobre o fato de o jabuti estar em tratamento na casa do funcionário André Bilche. Mas, de acordo com o comando da 2ª Companhia, o servidor não poderá permanecer com o bicho sem autorização legal do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Conforme a legislação ambiental, manter animais da fauna silvestre brasileira em cativeiro sem o devido licenciamento é considerado crime, passível de pena de até um ano de detenção. Contudo, em caso de guarda doméstica de espécies que não estão ameaçadas de extinção, a pena pode deixar de ser aplicada pela Justiça.
Ainda de acordo com a Polícia Ambiental, a única instituição que recebe animais silvestres feridos ou debilitados, em toda a região, é o Hospital Veterinário da Unesp de Botucatu. O município de Bauru possui um projeto para instalar um centro de triagem e reabilitação de animais silvestres, que ainda não saiu do papel.
Posse responsável
Por não haver locais apropriados para receber animais silvestres mantidos em cativeiros domésticos, o comando da 2ª Companhia de Polícia Ambiental de Bauru alerta para a importância sobre a posse responsável destes bichos. “As pessoas precisam avaliar muito bem quais as condições possuem. Um jabuti, por exemplo, vive mais de 50 anos. Portanto acompanhará toda a vida da pessoa, demandando cuidados específicos”, salienta o capitão Nilson César Pereira, comandante da unidade.
A observação também é feita pela bióloga Alessandra Pinezi, gerente de resíduos sólidos especiais e do aterro sanitário da Emdurb. “As pessoas levam o bicho para casa quando pequeno porque é bonitinho, mas, depois que ele cresce, não querem mais. E grande parte delas o adquire ilegalmente, de criadores clandestinos”.
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Após ter sido encontrado no lixo e, por pouco, não ter morrido, o jabuti Xicão já se enturmou com a cachorra Mel em seu lar provisório |
