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Tá valendo!: não contava com a sua astúcia

Neto del Hoyo
| Tempo de leitura: 2 min

Vou revelar, sem rodeios. Antes da bola rolar eu garanti, com toda segurança de quem achava que sabia o quer estava falando, que Ochoa era fraco. “O goleiro mexicano”, disse o sabidão aqui, “pega as bolas mais difíceis e solta as mais fáceis”. Sabedoria extrema. Profético (só que não).

Lance após lance, os companheiros de Redação se entreolhavam e, com ar de deboche, me lançavam olhares e esticavam sorrisos de canto de boca. O cara pegou tudo. E eu, paguei o pato, ou o mico, como preferir.

O que não teve foi frango. Se até Ochoa, para mim, agora o “frangueiro” mais inconstante do futebol, fez o que fez, falta Julio Cesar operar um milagre para acordar. Com ritmo de jogo de uma equipe fraca que vive ‘catando cavaco’ na medíocre MLS (Major League Soccer, a liga de futebol dos Estados Unidos), Julio precisa mostrar que está em forma. Desde quando eu não sei, mas acima de tudo, goleiro sempre foi uma posição de confiança. A velha história do bom time que começa por um bom goleiro. Julio é o homem de confiança de Felipão. E um dos (tantos) erros de Mano Menezes em dois anos de Seleção foi promover um leilão pela camisa um. Talvez por isso Julio Cesar preferiu a doze. Pouco importa. Scolari confia em Julio. Nós, confiamos em Scolari.

José Luiz Datena, da Band, contou uma história que jurou ser o próprio Felipão quem lhe confessou. Disse que em 2002, após a vitória sobre a Turquia (2 a 1 de virada), na estreia, os jogadores relaxavam na piscina do hotel naquele clima bem brasileiro – pagode, piadas e muitas gargalhadas. Vendo a cena, Felipão não hesitou. Pulou dentro da piscina de agasalho e tudo, celular e carteira no bolso: ‘Vocês estão malucos? Não jogamos absolutamente nada contra eles. Qual o motivo da alegria?’. Isso é bem a cara do treinador brasileiro. Pelo menos é isso que todos acreditamos. E esperamos.

Estou com Juca Kfouri, que não precisou nem de Datafolha para atestar que Felipão tem mais confiança da torcida brasileira do que Telê Santana em 1982. Para alguns, Scolari é mais confiável do que Neymar. Chegou a hora, Felipão, de pular de agasalho na piscina. O agasalho que nem o calor de Fortaleza o fez tirar. Pura superstição.

Voltando a falar de Ochoa, de certa forma, eu não errei. Disse que ele falhava nas bolas fáceis. Nas difíceis, ele se garante. Balela à parte, eu não contava com sua astúcia.

Estou louco de vontade de afirmar que o Brasil será campeão, mas o futebol, a vida e Ochoa me ensinaram que isso não passa de um desejo. Ali embaixo, as leis são diferentes.

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