Esportes

Friamente calculados

Neto del Hoyo
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A segunda rodada do Mundial começou com o empate sem gols do Brasil contra o México e a preocupação com a trupe de Felipão. Mas a primeira terminou de forma avassaladora.

Nos 16 jogos iniciais foram 49 gols, média de quase quatro por partida. A marca é a melhor desde a Copa da Suécia, em 1958. Em 2010, na África do Sul, por exemplo, foram só 25 tentos na primeira fase. Antes, na Alemanha (2006), a média chegou a 39. Uma salada de números. Prato cheio para os matemáticos da bola.

Segundo o jornal italiano “La Gazzetta dello Sport”, na vitória contra a Inglaterra, a Itália alcançou o recorde das Copas de acerto de passe: incríveis 93% contra 92% da Dinamarca diante do Uruguai em 1986. O diário esportivo aproveitou para mirar seu canhão para a Espanha, massacrada pela Holanda na estreia e que ontem acabou eliminada: “O tiki-taka não morreu, apenas trocou de passaporte”.

Eu que não sou chegado em salada e nunca fui muito apegado em matemática, gosto do imprevisível.

Após o 0 a 0 com o México, Felipão fez valer sua patente alta e bigode grosso. Criticou a arbitragem por suposto pênalti não marcado em Marcelo (que não existiu) e se irritou com perguntas da imprensa. Previsível.

Já Vicente del Bosque, o general bigodudo que comanda a Fúria (e que é a cara do senhor Wilson, de Dennis o Pimentinha), foi mais honesto após a sarrafada contra os holandeses: “A Espanha já mostrou que sabe se comportar na vitória. Temos que mostrar que sabemos lidar também com a derrota”, mesmo que ela não seja esperada.

Mais imprevisível que uma derrota dos espanhóis são duas, que resultaram no adeus prematuro no Mundial do Brasil. A maldição dos campeões, que pegou a Itália em 1950 e 2010, o Brasil em 1966 e a França em 2002, despachou a Fúria.

Uma ducha bem gelada em quem garantiu que a Espanha era favorita para ganhar a Copa. Tão fria quanto os algarismos, que apenas ajudam a explicar um pouco como foi o jogo. Em campo, são onze contra onze e o que conta é bola na rede. Análises prematuras são casca de banana, já sentenciou Antero Greco, que faz parte do time de cronistas e que, como todos nós, já escorregou por aí.

Afinal, futebol não tem muita lógica, não é uma ciência exata. E isso é claro e evidente, assim como dois e dois são quatro.

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