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Uruguaio deixa ingressos em casa e festeja fora dos estádios

Folhapress
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O uruguaio Felisvino Ledesma, 58 anos, conserva um hábito nada comum. Ele compra ingressos de jogos importantes, mas não entra nos estádios. O motivo? Não gosta de ter sua coleção de tíquetes originais "danificada".

Ledesma fez isso na atual Copa. Comprou nove ingressos, incluindo a abertura e a final - as partidas mais concorridas na etapa de vendas. E não vai assistir a nenhuma.

"Não posso desfalcar minha coleção. Deixei meus ingressos dessa Copa em Montevidéu para ninguém roubá-los e viajei ao Brasil só para ficar na porta dos estádios", disse, na manhã desta quinta (19), antes de Uruguai e Inglaterra, em São Paulo. Para os que duvidam da história, Ledesma mostra fotos dos seus ingressos.

A coleção não se resume apenas aos jogos que poderia ter visto. Tem entradas de quase todas as finais de Copas, exceto as de 1934 e 1938.

"As pessoas não entendem, mas a minha emoção é obtida dessa forma", afirmou Ledesma, conhecido como "o torcedor número 1 do Uruguai".

Nascido em Tacuarembó em 1956, vive em Montevidéu, mas tem os estádios como segunda casa. Trabalhou boa parte da vida em indústrias de tecido, mas foi aposentado por invalidez e desde então vive com uma pensão de quase R$ 3.500 mensais.

VISUAL

O uruguaio não é excêntrico apenas por comprar ingressos e não ver os jogos. Ledesma chama a atenção pelo visual: usa um sombreiro, a bandeira do Uruguai nas costas, um cachecol com as cores de seu país, cartazes pelo corpo e carrega duas bolas.

Sobre o desempenho do Uruguai, ele não mostra empolgação. "Acho que a Copa do Uruguai termina hoje, uma pena", disse, antes da vitória de seu país.

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