Articulistas

Copa do Mundo, guerra civil e ditadura

Márcio Alexandre da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Final da Copa do Mundo no Brasil, a Seleção Brasileira precisa de um gol para ser hexacampeã mundial de futebol. Jogo decisivo entre Brasil e Argentina. Aos 35min do segundo tempo, o país está paralisado. Todos esperando a vitória.

Os manifestantes pararam os protestos para verem o jogo, afinal, eles também são tupiniquins. A presidente nem sabia quem era o técnico da seleção, e gritava: "liga para o Dunga e fala que não podemos perder esse jogo. Companheiro!". Após o berro da presidenta, todos são surpreendidos com o grito de gol da seleção Argentina.

A presidenta sabia que as coisas iam piorar, pois tinha gasto muito dinheiro, mais do que o previsto para a construção dos estádios, além de investir em infraestrutura e logística de transportes que não surtiram muitos efeitos. Os manifestantes decidiram continuar as manifestações. Os torcedores nos estádios, numa ação coletiva após o apito final do árbitro, começaram a quebrar os estádios, afinal, eles pagaram por tudo ? e caro por sinal.

A presidenta foi dormir, acreditando que no outro dia tudo voltaria ao normal: apenas algumas ressacas e nada mais. Mas, a chefe de estado se enganou e, às cinco da manhã, já havia manifestações em frente à casa dela. Naquele dia, a maioria decidiu não trabalhar e foi às ruas. Os governos de estado começaram a convocar policiais de folga.

O povo crescia cada vez mais nas ruas. Após alguns dias de manifestações, os alimentos começaram a faltar. Esquerdistas foram às ruas e planejavam começar uma luta armada. Direitistas se diziam contra a luta armada, mas pagavam pistoleiros para matarem os esquerdistas. O caos era total! Iniciou-se, então, uma guerra civil. A eleição, que aconteceria em outubro, foi cancelada pela ONU. Os oportunistas viram a possibilidade de um Golpe de Estado.

Os esquerdistas queriam construir o governo do povo ? socialista. Os direitistas primavam por um governo elitista e capitalista. E os militares almejavam um governo autoritário. Nesse momento, o celular despertou, era hora de ir ao trabalho. Felizmente, foi apenas um sonho, mas e se fosse verdade? Embora seja um devaneio filosófico e literário, não descarto a possibilidade de estarmos próximos de uma guerra civil e de uma ditadura de esquerda ou direita, ou até mesmo militar.


O autor é professor de filosofia e escritor

Comentários

Comentários