A ex-deputada María Corina Machado, uma das líderes da oposição ao governo de Nicolás Maduro na Venezuela, foi proibida de deixar o país por decisão de um tribunal da capital, Caracas.
A decisão foi anunciada na TV estatal venezuelana na noite de quinta-feira (19) pelo presidente da Assembleia Nacional, o chavista Diosdado Cabello. Corina é acusada de conspirar com os EUA pela derrubada de Maduro, o que ela nega, e de fomentar os protestos violentos que ocorrem desde fevereiro no país --acusação que já levou à prisão outro opositor, o ex-prefeito de Chacao Leopoldo López.
"Se demonstrei alguma coisa, é que não há risco nem desejo de que eu deixe a Venezuela", disse a ex-deputada ao jornal venezuelano "El Universal". "Para os venezuelanos está claríssimo que as ações [do governo] por estes dias visam me assustar, ameaçando minha vida e dos meus filhos, para que eu saia do país."
Corina acusou ainda a gestão de Maduro de criminalizar a dissidência política. Seu advogado, Tomás Arias, afirmou que a decisão do tribunal de Caracas não tem base legal e será contestada.
No início do ano, sob o comando de Cabello, a Assembleia cassou o mandato de Corina, deputada mais votada nas eleições de 2010. Os governistas alegaram que ela havia ido à OEA (Organização dos Estados Americanos) supostamente como representante do Panamá, contrariando artigo da Constituição que exige uma autorização prévia do Parlamento, o que Corina também desmente.