Esportes

Argentina vence no fim e alegra bauruenses

Lilian Grasiela com Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 5 min

Os argentinos que se reuniram ontem em Bauru para torcer pela seleção comandada por Messi saboreando um autêntico churrasco, prato tradicional do país, tiveram que ter paciência para comemorar a classificação para as oitavas de final. O time sofreu para vencer o Irã pela segunda rodada do Grupo F da Copa do Mundo e só garantiu a vitória aos 46 minutos do segundo tempo, com chute de longe do camisa 10.

 

 

Após o apito final, a festa dos “hermanos” na casa da brasileira Doris Nham Marino e do argentino Daniel Marino, que são casados há 15 anos (leia mais abaixo), foi proporcional ao sofrimento durante os 90 minutos de partida. Na torcida pela equipe albiceleste, o casal ganhou o reforço de estudantes argentinos que fazem intercâmbio na Unesp em Bauru e de alguns “agregados” brasileiros.

 

Uma das estudantes, Soledad Graffigna, ressaltou que, apesar do jogo difícil, a Argentina conseguiu chegar várias vezes ao gol adversário. Ela e as amigas Evelin Puri, Carina Chiarpotti e Melisa Fernandez contaram que estão otimistas com o desempenho da equipe até agora e que torcem por uma final entre Argentina e Brasil. “Nós estamos aqui, mas o nosso coração é argentino”, disse Evelin.

 

O também estudante Luciano Martin Tosi Aromi esperava uma partida mais fácil para a Argentina. “Eu sofri muito. O jogo foi muito difícil, muito chato. Eu achei que a Argentina ia ser melhor, mas o Messi só acordou no último tempo”, declara. “Mas eu acho que a Argentina jogou bem porque sempre o jogo aconteceu do lado do ataque argentino. Nós chegamos muito no arco (gol) deles”.

 

O brasileiro Rodrigo Jacomin, que carregava a bandeira do Brasil, mas torceu “um pouco” pelo time de Messi, explicou que, por morar em uma república com argentinas, teve que fazer um acordo com elas em nome da boa convivência. 

 

“Na nossa casa, nós temos um trato. Quando joga a Argentina, torcemos pela Argentina. E quando joga o Brasil, elas têm que torcer para o Brasil”, revela.

 

O também brasileiro Saulo Marcussi foi outro que decidiu dar uma forcinha para o time albiceleste em nome da amizade com os “hermanos”. 

 

“Eu esperava mais do Irã”, respondeu em tom de brincadeira, quando questionado sobre o jogo. “Eu torci pela Argentina e espero eles na final”, emendou na sequência, deixando evidente sua verdadeira paixão.

 

Emocionado

 

Ao final da partida, o garçom e agente de turismo Daniel Marino não escondeu a emoção de poder assistir a vitória da Argentina ao lado de conterrâneos. “Eu estou muito feliz, em primeiro lugar porque ganhou a Argentina, merecidamente, porque foi difícil chegar até onde nós estamos. E, mais feliz ainda, porque Deus me deu o presente de poder compartilhar esse momento com irmãos argentinos”, declarou. “Morar longe, como eu, há quinze anos, é muito difícil. E sentir-me na minha terra, na minha própria casa, é muito bom”.

 

Amor à primeira vista

 

Doris Nham Marino, brasileira que também engrossou a torcida a favor da Argentina, revela que contratou Daniel como intérprete há quinze anos, quando levou seus alunos de balé para participar de uma competição na Argentina. O que era para ser uma simples prestação de serviço, segundo ela, acabou se transformando em amor à primeira vista.

 

Após três dias de namoro, o casal decidiu se casar. “Nós nos conhecemos em agosto, eu voltei para lá em setembro e em outubro e, em novembro, ele veio ‘de mala e cuia’ para cá. Em janeiro, nós nos casamos e, em agosto, nasceu o Augusto (hoje com 14 anos)”, conta.

 

Camisa argentina é 2ª mais preferida 

 

Pelé e Maradona, Messi e Neymar, Boca Juniors x Corinthians. Quando se trata de futebol, qualquer confronto entre Argentina e Brasil é mais do que um jogo: é uma “guerra”. Rivalidades à parte, um fato curioso. Depois da camisa verde e amarelo, a mais procurada em Bauru é a da seleção dos nossos “Hermanos”.

 

A reportagem do Jornal da Cidade percorreu lojas ontem e constatou unanimidade. Em uma delas, localizada em um centro empresarial no Jardim Infante Dom Henrique, a camisa da Argentina é comercializada a partir de R$ 100,00, dependendo do modelo. A maior procura ainda é por parte dos jovens, na faixa etária de 18 a 30 anos. 

 

“Acredito que a grande procura pela camisa da Argentina se deve à questão da rivalidade. O craque Messi é um ídolo do futebol. Pode ser por isso também”, acredita o funcionário, que preferiu não se identificar. 

 

O espírito de competição não está presente só em campo. A rivalidade entre os clientes existe e é grande, segundo o comerciante Ronan Cândido de Oliveira. Proprietário de um estabelecimento em uma galeria de lojas próxima ao Calçadão da Batista, ele conta sobre a disputa por uma bandeira da Argentina. 

 

“Teve até briga entre dois clientes para ver quem ficava com a bandeira. Foi difícil chegar a um consenso”, lembrou. Oliveira confirmou a imensa procura pela camisa dos rivais argentinos. “Vem umas 40 pessoas por dia atrás da camisa. Impressionante”. O difícil, contudo, era encontrar a tal camisa. Em frente à loja de Oliveira, a comerciante Andrea Aparecida Farias explica que está difícil encontrar estoque nas revendedoras.  “Vendi 300 camisas desde o início da Copa. Amanhã (hoje) viajo a São Paulo para comprar mais”, disse.  Depois da goleada de 5 a 1, de virada contra a Espanha na estreia da Copa deste ano, a camisa da Seleção da Holanda está em evidência. A vendedora ambulante Aline Almeida garantiu que o favoritismo da Argentina nas vendas de camisa está por um fio. 

 

Pelé ou Maradona?

 

Para o empresário Trivelato, Maradona foi promovido pela torcida e não pelos feitos. “O Pelé fez muito mais, porém, a torcida argentina fala demais dos feitos do Maradona. É aquela história: ‘uma mentira repetida mil vezes acaba virando verdade’”.  O acervo de imagens que mostram a história de Maradona também contribuíram para definir este conceito, segundo Trivelato. 

 

'O problema é a arrogância'

 

Fã incondicional de futebol, o empresário Sérgio Bruno Trivelato é um dos vários brasileiros que vestem a camisa da Argentina. No entanto, assim como muitos, ele repudia a atitude dos jogadores e torcida. “Eu gosto do jeito que eles jogam, da energia que eles têm e da torcida. O problema é a arrogância. Chega nesta época de Copa e eles ficam insuportáveis”, critica.  Ele coleciona camisetas também de 3 times argentinos.

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