Tribuna do Leitor

As rupturas necessárias e os desafios do PT nas eleições


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Em matéria publicada na edição deste sábado (21/06), sob o título "Eleição tem várias alianças informais", o jornalista Vinícius Lousada faz uma afirmação que não corresponde à verdade quando diz: "O vereador, aliás, não fará campanha sequer para os candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), e a governo do Estado, Alexandre Padilha (PT)", referindo-se a minha pessoa. Esta é uma suposição do jornalista por quem tenho muito carinho e apreço, mas uma suposição não é um fato, neste caso sem nenhuma base real, mera especulação.

Os militantes da Esquerda Marxista do PT participarão do processo eleitoral mantendo sua independência política e defendendo o que acreditamos, inclusive exercendo o direito de crítica às alianças com os partidos da burguesia ((PMDB, PP, PR, PSB, PDT etc), e será com este conteúdo que votaremos 13, Dilma, Padilha, Suplicy e nos nossos candidatos a deputados federais e estaduais.

A Esquerda Marxista, corrente interna do PT, nestas eleições combaterá diretamente no terreno da luta de classes durante a campanha eleitoral com suas posições e sua plataforma. Na campanha eleitoral, que é um terreno amplamente deformado, continuaremos a combater e denunciar a política de colaboração de classes que se traduz nas alianças eleitorais com os partidos burgueses, seja para a disputa do governo federal, como na disputa dos governos estaduais.

Estas alianças encabeçadas pelo PT buscam construir consensos para garantir a tal governabilidade, governabilidade que impede as mudanças estruturais que a classe trabalhadora e a juventude reclamam, e servem à manutenção daqueles que historicamente exploraram a classe trabalhadora, como os representantes do agronegócio e sua maior representante no Congresso, Cátia Abreu, do PMDB.

Defenderemos propostas que proponham rupturas com a ordem vigente, como ficou claro nas manifestações de milhões em junho/julho de 2013, que reivindicavam serviços públicos como transporte, saúde, educação, gratuitos e para todos. Na pauta das manifestações estiveram reivindicações como a reforma urbana, reforma agrária, moradia, e o fim da criminalização dos movimentos sociais. Minha candidatura a deputado federal dará continuidade à luta que travamos inclusive com nosso mandato de vereador na Câmara de Bauru para construirmos um partido de massa, de classe, socialista, dialogando diretamente com a classe trabalhadora e a juventude, e explicando que não há como humanizar o capitalismo, e que dentro dele não há saída para as maiorias, e que no atual estágio do sistema, as lutas por reformas necessariamente levam as massas a entrar em confronto direto com os governos, inclusive os do PT, que não podem realiza-las se não romperam com os consensos da dita "governabilidade".

Só podemos adotar esta prática política, porque mantemos nossa independência política dentro e fora do PT e um diálogo permanente com os militantes do partido, com a classe trabalhadora e a juventude, partindo sempre do seu nível de compreensão e experiências na luta diária e permanente por melhores condições vida, que ao fim e ao cabo é velha e vigorosa luta de classes.

Fazer campanha não nos obriga a defender integralmente um programa de governo, principalmente porque programas de governo de coalização, como os do PT junto com partidos da burguesia, implicam em choques internos entre as diversas correntes (legítimas) existentes dentro do partido. Nestas eleições votaremos no 13, sem abrir mão de nossas posições, e reafirmando que a classe trabalhadora e a juventude não precisam de consensos hipócritas, precisam de programas que proponham rupturas com ordem vigente, e pavimentem o caminho para o socialismo.

Roque Ferreira - vereador

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