Tribuna do Leitor

Via Sacra da USC 2014 ? ponderações


| Tempo de leitura: 4 min

O artigo do professor Rodrigo Pereira, intitulado "Via Sacra da USC ? Péssima Direção", publicado neste jornal em 29 de abril, me fez refletir sobre a cena teatral de Bauru, onde encontramos um arcabouço de realizações teatrais que apontam para uma cidade vocacionada à concepção e execução do ato cênico. Senão vejamos: temos o Teatro Municipal Celina Neves, ponto de partida para as artes cênicas; a Casa da Cultura Celina Neves, escola de teatro, fruto do esforço pessoal de uma família, engajada na arte; O Espaço Protótipo Tópico, laboratório dramático moderno, e grupo incentivador de novas tendências; o Teatro Vitória Régia, intervenção urbanística arquitetônica a serviço da produção cultural; o Teatro Veritas da Universidade Sagrado Coração; o TUSP, Teatro da Universidade de São Paulo; o Teatro do Sesc; o Teatro da OAB, Ordem dos Advogados do Brasil; salas e mais salas e auditórios de instituições públicas e privadas sempre abertas a receberem a arte dramática em geral.

Como estudante da Universidade Sagrado Coração e na condição de egresso do curso de Educação Artística com Licenciatura em Artes Cênicas e, por conseguinte, como parte integrante da realização da Via Sacra da USC ? 2014, sinto-me na obrigação de apresentar a opinião pública defesa, frente a artigo de natureza tacanha e sorrateira, apresentado por aluno de outro curso, sem qualquer noção do processo investigativo e do trabalho árduo que antecedeu o ato coletivo de criação do espetáculo, o que é típico do teatro. A crítica é sempre bem vinda e grandes nomes da escrita analítica da realização do fenômeno cênico, que se cristaliza com apresentações de peças, têm se utilizado de tal veiculo para lançar luzes sobre o que se ver e, por oportuno, aperfeiçoar a qualidade de novas apresentações. No entanto, no material publicado no presente ano, o que se viu não foi o uso da escrita crítica ou da História, utilizada como matéria cientifica para analise do produto artístico com o devido distanciamento da obra de arte. Ao contrário, o acadêmico, apresentou-se com pontos de vista apaixonados e deselegantes, querendo atacar uma pessoa em particular de forma violenta e desrespeitosa, não atentou para o fato de que estava ferindo um principio ético do fazer literário, a preservação e o respeito à pessoa humana. Isso sim chega a ser irônico, o mesmo se apresentar a todo o momento como cristão a serviço do cristianismo e ao mesmo tempo não conseguir perceber que sua visão diminuta e preconceituosa vai de encontro a uma recomendação básica de Jesus, o amor ao próximo. Seu impulso instintivo o cegou ainda tão e de sobremaneira, que não conseguiu atentar para o fato de que o ataque resvalou também sobre a própria produção cultural da cidade. Contrariando assim os princípios éticos da matéria a qual vem se debruçando, que é a preservação da memória pública de um povo. Ou não seria essa a missão da História? Até compreendo-o. Quando penso que é assim que se criam os protótipos de inquisidores, discípulos fiéis de Tomás de Torquemada.

No caso particular da Via Sacra da USC sua importância se respalda por ser a única manifestação artista sacra que guarda singularidade. Qual seja? Vias Sacras as há pelo mundo e Brasil a fora. Até mesmo Hollywood que se utiliza da sétima arte, já realizou inúmeras superproduções cinematográficas para descrever a historia de Jesus nas telonas, a exemplo do genial, Mel Gibson, e, sua Paixão de Cristo, caso não fosse assim o que seria da grande obra Jesus Cristo Superstar. No Brasil temos a maior cidade cinematográfica do mundo a céu aberto denominada, Nova Jerusalém, e inúmeras organizações e grupos utilizando - se do teatro como manifestação artística viva para levar aos palcos a historia de um dos personagens mais instigantes e controversos que a Historia da humanidade conhece. Não obstante Bauru tem o privilégio de poder dizer que dentro do circuito nacional e internacional de apresentações de peças sacras tem em seu calendário cultural, impingido na consciência da sociedade brasileira, um evento sacro de natureza única. Isto porque aqui, e, somente aqui temos a satisfação de afirmar que nossa vista sacra uniu o contemporâneo e o antigo para apresentar a plateia um espetáculo com diferencial. Onde o teatro enquanto Ciência e a Religião, enquanto fé, somam esforços para protagonizar um espetáculo com luz própria, realizado por um grupo heterogêneo, formado por pessoas das mais diversas, como aquelas que já estão fazendo teatro e que até fazem disso profissão, ao jovem operário que sai de sua terra natal a busca de trabalho e estudo.

Dimas Leandro Batista é ator

Comentários

Comentários