Recentemente, fiz mais um passeio lá pelos lados da Mantiqueira, onde sempre vou visitar minha neta Alice, filha de meus filhos Eduardo e Maria, quando possível dou uma esticada ali pelo sul de minas para usufruir do clima de montanha e da tranquilidade da cultura mineira, mas não dá para fechar os olhos a um problema gravíssimo que está ocorrendo na região. Não é coisa nova, mas os efeitos estão chegando de forma avassaladora. Como tudo na natureza, um dia a fatura chega e nesse caso quem paga é a população da Grande São Paulo.
Os vales da Mantiqueira, a partir de Atibaia, passando por Piracaia, Joanópolis até Campos do Jordão e Monte Verde (já em Minas) estão tomados por condomínios fechados, chácaras de luxo, balneários etc... Nesta área estão localizados os maiores mananciais que abastecem o sistema Cantareira, como as cabeceiras dos rios Atibaia, Piracicaba e Jaguari. A situação se tornou mais grave por pura omissão dos governantes paulista que nunca "souberam" administrar a sanha predadora das grandes imobiliárias que avançaram de forma inclemente sobre a exuberante natureza serrana soterrando nascentes e assoreando córregos , mas o golpe de misericórdia veio com as plantações de eucaliptos que, mesmo nos declives mais acentuados, estão substituindo a mata nativa, ressecando o solo maltês e matando minas d?agua e ampliando o assoreamento.
Nós estamos longe desse problema? Nós também podemos experimentar desse mesmo veneno. Em escala menor temos a nossa cantareira logo ali na cidade de Agudos, onde um conjunto de morros forma a serra da Jacutinga, onde estão as nascentes dos rios da nossa região como Rio Lençóis, Rio Turvo, os primeiros córregos que se juntam para formar o Rio Bauru e principalmente o nosso mais importante manancial que abastece grande parte da nossa cidade que é o Rio Batalha. A serrinha da Jacutinga vem sofrendo sucessivos ataques desse monstro chamado progresso
Nos terrenos mais íngremes onde a mecanização das lavouras de cana não podiam entrar foram poupados pela circunstância geográfica ,mas com a chegada dos eucaliptos temo pelo futuro da nossa "cantareira".
Lázaro Carneiro