Tribuna do Leitor

Como falar sobre a morte


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Quando se tem crianças pequenas em casa, as justificativas brotam como um brainstorm da empresa que a gente precisa analisar antes que os pequenos acordem. O cachorro de estimação foi morar na fazenda junto com os outros animais? Não, muito brando. Ele morreu e o enterramos no jardim? Não, muito seco.

Dependendo da idade da criança, ela vai devolver algumas dúzias de perguntas até se sentir satisfeita com a informação. E a gente tem pouco tempo para se preparar para as respostas.

Mês passado tive a difícil tarefa de comunicar aos meus filhos o falecimento do meu pai. O mais novo tem apenas 1 ano, mas o mais velho, com 4 anos, imediatamente perguntou por quê. "Porque ele estava velhinho e teve um dodói que não sarou." Um sem número de perguntas se seguiram e ele se mostrou contrariado por não poder mais brincar com o vovô, apenas conversar com ele através da oração. Achei que devia dar um exemplo e falei, com as mãos juntas e os olhos fechados: "Bom dia, vovô Raul. Espero que seu dia no céu seja bem divertido". Segundo a expressão do meu filho, quebrava o galho por enquanto.

Passaram-se alguns dias até ele devolver "Mas como ele responde?". Quando finalmente entendi que aquilo era uma continuação da conversa sobre o vovô, expliquei que ele faz soprar um vento gostoso no rosto da gente, ou faz o céu ficar azul bem claro, ou coloca flores muito bonitas no caminho.

O mais difícil é demonstrar uma aceitação serena, quando isso ainda não aconteceu. A ideia é fazer o pequeno pensar que, se a mamãe está bem com esta condição, ele também vai ficar. No momento em que a gente deixa de ter o porto seguro, a gente precisa ser o porto seguro de outras pessoas. Pelo menos até a hora em que as pessoas guardam os brinquedos e vão dormir.

Cláudia Fukumoto Uehara

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