O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, fez inesperada visita a Bagdá ontem para pressionar pela formação de um novo governo iraquiano, mais inclusivo e capaz de frear o avanço de grupos sunitas ultrarradicais.
Tida como afronta ao premiê xiita Nuri al-Maliki, a posição americana contraria o poderoso vizinho Irã e acirra disputas sobre como responder à ofensiva do Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL), facção jihadista que já cerca Bagdá ao norte e oeste.
Num encontro descrito como tenso, Kerry condicionou a ajuda americana a ações de Maliki em favor dos sunitas (36% da população), que querem maior participação no governo. “O Iraque enfrenta uma ameaça existencial. Nosso apoio será intenso, se os líderes iraquianos se unirem”, disse.
Segundo Kerry, Maliki se comprometeu a acelerar negociações para formar uma coalizão após a inconclusiva eleição parlamentar de abril passado, na qual o premiê não obteve maioria necessária para emendar um terceiro mandato consecutivo.
Os EUA afirmaram que Maliki tem até 1 de julho para anunciar um governo onde sunitas terão espaço.