Quando Neymar fez sua primeira viagem com o time profissional do Santos, em 2009, eu trabalhava pelo diário Lance! e fiz a partida: Marília 1 x 0 Santos, pela sétima rodada do Paulistão, dia 12 de fevereiro. Ainda uma promessa da base, ficou no banco ao lado do técnico Márcio Fernandes e não entrou.
Tive oportunidade de conversar com aquele moleque magrelo, orelhudo que apontavam como um futuro craque. A impressão não foi boa, confesso. Tinha minhas dúvidas, sensação de déjà vu. Enfim, recalque puro.
Cinco anos depois Neymar coleciona boas jogadas, golaços e títulos, mas também acumula polêmicas e alguns desafetos.
Em 2010, o técnico René Simões, então no Altético Goianiense, criticou o “cai cai” do atacante, à época do Santos, e a forma como era “blindado”: “Estamos criando um monstro”.
Por mais irritante que seja, o tal do “cai cai” tem justificativa.
Nosso camisa 10 é muito habilidoso, rápido e leve o suficiente para ser definido com menosprezo por Vanderlei Luxemburgo como “filé de borboleta”. Volta e meia é crucificado pelo pecado de cair demais.
Tão bem feitas, as piruetas do menino, acredite, são ensaiadas e necessárias. Ele é como um graveto. E como você quebra um graveto? Se você jogá-lo para o alto e bater com a barra de ferro mais forte que existir, ele vai cair, longe, talvez, mas não vai quebrar. Mas se você apoiar o graveto no chão, com um ‘peteleco’ vai conseguir quebrá-lo. Foi assim que seu pai, que também é seu empresário, defendeu os saltos do filho.
E Neymar aprendeu a lição, na maioria das vezes aplicada com dose exagerada de interpretação. Rola uma, duas, três vezes no chão. Irrita até quem torce a favor. Mas faz parte do show tão bem ensaiado.
Na vitória contra Camarões, apanhou, caiu, rolou...uma, duas, três vezes. Mas também chamou a responsabilidade, foi buscar o jogo, driblou, deu passe de calcanhar, chapelou dois adversários e fez dois gols. Enfim, decidiu tudo o que havia para decidir. Os grandes jogadores são assim.