Ao todo, 18 delegados que atuam na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru, onde as atividades foram suspensas por três horas, participaram ontem do segundo Alerta Vermelho, mobilização coordenada pela Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (Adpesp). Eles interromperam o atendimento entre as 15h e 18h, assim como aconteceu em outras cidades do Estado.
Desta vez, a iniciativa coincidiu com a divulgação dos dados de criminalidade, mensalmente divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) (leia mais na página 11 e 24).
Para os delegados integrantes ao movimento, o descaso com a área em São Paulo pode ser ratificado na carência de investimento em infraestrutura e na falta de valorização dos recursos humanos da polícia investigativa, que segue em sucateamento, impedida de investigar e combater o avanço da criminalidade.
As estatísticas comprovam que o problema se agrava, especialmente porque a cada 9 dias, um delegado de polícia migra para outras carreiras jurídicas ou ainda para outros Estados, motivados por melhores condições de trabalho, informa o representante da Adpesp em Bauru, delegado Cledson Luiz do Nascimento.
Ele acrescenta que o Estado de São Paulo ocupa a 26ª posição no ranking salarial nacional da categoria, entre os 27 federados. “Infelizmente, a polícia investigativa não rende votos. Para o Governo do Estado, é muito melhor liberar viaturas, por exemplo, que dá a sensação de segurança à população, do que investir numa área cuja atuação, por natureza, tem de ser discreta”.
Cledson reitera que, atualmente, embora o governo tenha reconhecido que a atividade é contemplada pela carreira jurídica, o delegado paulista recebe cerca um terço dos proventos de outras carreiras jurídicas do Estado.