Bairros

Até bombeiros "reservas" são escalados

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

O incêndio que deixou Bauru sob fuligem anteontem está longe de ser isolado. A média diária de ocorrências na cidade dobrou com a estiagem e o início do inverno, estação caracterizada pela seca. De cinco, o número de atendimentos diários realizados pelo Corpo de Bombeiros de Bauru, envolvendo fogo em mato, chegaram a dez.

A situação acende um alerta à corporação que, inclusive, chegou a colocar parte de seu efetivo administrativo nas ruas, com abafadores (vulgo vassourão) na última terça-feira. Na ocasião, um grande incêndio tomou região da fazenda Santo Antônio e deixou parte de Bauru em meio à fumaça, conforme o JC noticiou. 

O fogo no local foi controlado, contudo, no mesmo dia, outras oito ocorrências foram registradas pelo Centro de Operações do Corpo de Bombeiros (Cobom), fato que gerou o “improviso” em questão, já que três das viaturas da corporação, entre elas os dois únicos caminhões-tanque dos bombeiros,  estavam empenhadas no grande incêndio, que começou na segunda-feira à tarde e só terminou por volta das 23h30 do dia seguinte.

Apesar de apresentar-se como um caso isolado, a situação ocorrida anteontem exemplifica uma realidade já esperada pela corporação para os próximos três meses, conforme aponta o supervisor do Cobom, sargento Marcos Mira.

“Hoje (ontem) mesmo atendemos mais nove casos, mas não precisamos colocar o efetivo reserva nas ruas porque, felizmente, foram incêndios pequenos. Mas estamos todos em alerta”, afirma.

Entre os casos registrados ontem, estão um grande incêndio em mato na avenida do Hipódromo, no Geisel. e outro no Distrito Industrial 2, que, por pouco, não atingiu uma fábrica.

Seca

Ambos incêndios ocorreram no período da tarde, quando a umidade relativa do ar chegava a 40% em Bauru, segundo dados do site do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Unesp.

Para se ter ideia, o mês de junho, até ontem, registrava 0,5 milímetros de chuva. Se até o final do mês não chover, este será o mês mais seco dos últimos 12 anos.

Em tempo: em 2002, junho fechou a precipitação acumulada em 0,0 milímetros. Vale lembrar que a Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que a umidade do ar abaixo dos 30% caracteriza estado de atenção; inferior a 20%, estado de alerta; e abaixo de 12% já se configura estado de emergência.


Chuva?

Meteorologista do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Pedro Costa aponta que há possibilidade de chuva para o próximo domingo.

“Não passa de 10% a chance, mas pode ocorrer sim”.

Apesar disso, ele lembra que o inverno em si é um período crítico em relação à seca. “A radiação abaixa umidade e temperaturas mais altas são combinações para ocorrência de mais queimadas”, finaliza.

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