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"Foi como um milagre..."

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Adolfo Bellório/Divulgação

Mulher foi socorrida com ferimentos leves; as marcas do acidente ficaram no capacete salvador

Um passeio que era para ser rápido e relaxante quase se transformou em tragédia para um casal, que sofreu um acidente de moto na rodovia Marechal Rondon (SP-300), na tarde de anteontem, em Bauru. A mulher, que ocupava a garupa da motocicleta conduzida pelo marido, poderia ter sido esmagada pela roda do caminhão-tanque que passou por cima de sua cabeça.

O capacete que ela usava, no entanto, salvou a sua vida. “Foi um milagre. Quem salvou a vida dela foi Deus”, corrige o motociclista, um autônomo de 43 anos, já recuperado do susto. A mulher, de 37 anos, preferiu não conversar com a reportagem.

O marido concedeu entrevista ao Jornal da Cidade sob a condição de manter a identidade do casal preservada. Segundo ele, a esposa está em repouso, em casa, com algumas escoriações pelo corpo e uma luxação no braço esquerdo, membro que também foi atingido pelo caminhão.

“Eu não consegui ver muita coisa, mas ouvi o estouro do capacete. É um barulho que não sai na minha cabeça. Já ela lembra de tudo, lembra da roda do caminhão vindo em direção ao seu rosto. Ela conta que fechou os olhos e só conseguiu pensar na nossa filha, de 3 anos”, relata o autônomo. As marcas do acidente ficaram gravadas no capacete.

Conforme o JC divulgou em sua edição de ontem, a ocorrência foi registrada por volta das 12h da última quinta-feira, no quilômetro 340 mais 400 metros da rodovia Marechal Rondon, próximo à Vila Universitária. O casal estava em uma motocicleta JTA Suzuki GSX650F e transitava no sentido Bauru-Agudos.

Segundo o marido, ambos haviam tirado o dia de folga para relaxar. “Ia levá-la para dar uma volta, almoçar fora e retornar para casa. A ideia era relaxar, mas tomamos o maior susto de nossas vidas”, conta ele, dizendo que esta foi a primeira vez que ele se acidentou de moto.

Espantados

De acordo com informações prestadas pela Polícia Militar Rodoviária, o trecho estava em obras, o que deixou o trânsito lento. Com a inconstância do fluxo, o condutor da Suzuki se desequilibrou, fazendo com que ele e sua esposa, na garupa, caíssem.

Nesse momento, um caminhão-tanque, que vinha logo atrás, passou com uma das rodas do último eixo sobre a cabeça da mulher. Ela saiu praticamente ilesa da ocorrência.

“Os bombeiros e a equipe do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), que estão acostumados com este tipo de resgate, disseram que nenhuma vítima de acidentes parecidos sobreviveu. Todo mundo ficou espantado”, comenta o marido.

O condutor do caminhão não parou para prestar socorro. Levada ao Pronto-Socorro Central (PSC), a mulher foi submetida a alguns exames, mas recebeu alta no mesmo dia, por volta das 17h30. O marido não se feriu.

Segundo ele, a esposa ainda está bastante impressionada com acidente e afirma que não pretende mais andar com ele na garupa da motocicleta. “Eu ainda quero voltar, não vou me desfazer da minha moto, mas, por enquanto, vamos dar um tempo”, conta.


Verniz pode ter feito o capacete deslizar

O formato circular do capacete e o verniz utilizado em seu acabamento podem ter contribuído para salvar a vida da mulher. A avaliação é de Maurício Santana, especialista vinculado à empresa distribuidora no Brasil da marca do capacete que a vítima usava.

“O verniz não é meramente estético. Ele serve para reduzir o atrito em caso de acidentes e pode ter ajudado o capacete a ‘espirrar’ (deslizar) na hora em que foi tocado pelo pneu”, comenta. Segundo Santana, se a roda do caminhão-tanque tivesse atingido em cheio a cabeça da mulher, ela não teria sobrevivido.

“A chance seria nula. Um capacete como o que ela estava usando, por mais seguro que seja, não resistiria à pressão de um caminhão sobre ele”, garante. Os modelos do fabricante são desenvolvidos na Espanha e fabricados na China.

O especialista explica que o capacete que a vítima usava possui classificação de quatro estrelas (em um ranking de um a cinco), em avaliação do Safety Helmet Assessment and Rating Programme (Sharp), instituto inglês que realiza testes de segurança em capacetes e é internacionalmente reconhecido. O modelo, nas lojas, custa cerca de R$ 400,00.

Resistência

Segundo Santana, o que diferencia a resistência de um capacete para outro é a espessura de sua resina termoplástica, a camada mais externa do equipamento. “É o que chamamos de ABS (acrilonitrila butadieno estireno), um policarbonato que, quanto mais espesso for, mais impacto será capaz de absorver. Os capacetes mais simples usam a espessura mínima exigida pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia)”, detalha.

A segunda camada é composta de poliestireno expandido (EPS), o isopor comum, que também auxilia na dissipação da energia de impacto. “Por último, está a espuma, que proporciona o conforto ao motociclista, mas também ajuda a ajustar a cabeça ao capacete, diminuindo as chances de o equipamento se soltar em caso de acidente”, afirma.

 

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