Tribuna do Leitor

Sem luta e sem classe


| Tempo de leitura: 2 min

Foram muito interessante as manifestações da esquerda aqui no JC. A do vereador Roque Ferreira, na terça, e a do PSTU, na quinta. Eles, com a incoerência de sempre, revelam a idiossincrasia da esquerda, seja ela abrigada no PT, como Roque, ou a radical, como PSTU. O primeiro admite votar em toda chapa petista, mas rotula seus aliados, como o PMDB e outros, de "partidos burgueses". E a do PSTU, que declara ser um partido que não se interessa por eleições. Ou será (grifo nosso) que o desinteresse é dos eleitores por suas teses anacrônicas?
Faltou ao Roque explicar o que seriam partidos de esquerda. No que esses burgueses se diferenciam do PT? Quem seria a esquerda, o PSOL? O PSTU? Black blocs? Quem realiza a ruptura e a luta de classes contra quem? Seriam os candidatos apoiados por Roque? Eduardo Suplicy? Dilma? Padilha? O que diferencia os burgueses dos revolucionários como Palocci e sua política econômica neoliberal? No que o aliado Sarney, "que não é uma pessoa comum" (segundo Lula), difere de Cátia de Abreu e do agronegócio? E o caminho do PSTU, se não é o das urnas, seria qual?
Incoerente é que políticos de esquerda como Roque se abriguem no PT aburguesado, compartilhando e saboreando com as benesses do poder ao invés de, como alardeiam, "lutar no terreno desnivelado das eleições", partir para a "luta de classes" e apoiar contra seu próprio governo a "ruptura com a ordem vigente", seja lá o que isto signifique na prática. Melhor é a posição do PSTU, ao menos assumindo ônus? Fazendo oposição declarada e aberta ao sistema?
As duas esquerdas carentes de popularidade (quem tiver dúvida é só conferir as votações anteriores de Roque e do PSTU nas eleições federais e estaduais) vivem apenas de um radicalismo xiita e barulhento de meia dúzia de ativistas chapa branca que perderam o bonde da história e se tornaram viúvas do muro de Berlim, defendendo ideias ultrapassadas como ditadura do proletariado e outros desgastados bordões.
Afinal, romper com a burguesia significaria para Roque, na pratica, romper com o PT. Ea luta de classes é contra detentores de privilégios do partido que hoje domina Brasília, aparelhando desde o Congresso, passando por estatais como a Petrobras até o Supremo Tribunal. Para o PSTU, seria abrir mão do fundo partidário e do apoio financeiro dos sindicatos e até desta coluna para leitores já que eles (Roque com o controle social da mídia e PSTU com a censura declarada) não acreditam na livre imprensa, a não ser quando são elogiados.

Márcio M. Carvalho

Comentários

Comentários