Uma denúncia levou policiais civis do setor de investigação da Central de Polícia Judiciária (CPJ) a fechar um cassino online, que funcionava na rua Recife, no Jardim Coralina, região do Nova Esperança, em Bauru. Depois de um mês de apuração, os investigadores apreenderam 16 computadores, 16 fontes, um roteador, um livro de contabilidade e fichas de pôquer. Segundo a Polícia Civil, a jogatina por meio da internet é algo inédito em Bauru.
O gerente e a proprietária do local foram ouvidos e liberados em seguida. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Kleber Granja, os dois responderão um termo circunstanciado sob o compromisso de comparecer ao Fórum em data a ser agendada e poderão cumprir uma pena de, no máximo, prestação de serviço à comunidade, porque a ação é considerada apenas uma contravenção penal.
“Embora a exploração desse tipo de jogo cause violento prejuízo para muitas famílias, porque a maioria dos apostadores deixa o salário do mês nas máquinas, a nossa legislação penal trata como um fato atípico, como se apostar fosse permitido”, explica Granja.
O cassino oferecia todos os tipos de jogos online, como roleta e videopôquer, fato considerado inédito em Bauru. Porém, não havia dinheiro em caixa, porque as transações eram feitas via Internet entre contas bancárias.
O cassino abria de terça-feira a domingo, a partir das 20h, e funcionava no fundo de uma residência alugada pela proprietária. Em uma das salas, foram encontrados 15 notebooks numerados, onde os jogadores faziam as apostas. Já em outra, havia uma central, que controlava o acesso dos usuários à rede.
Aposentados
Quando policiais civis chegaram até o cassino, por volta das 22h da última terça-feira, havia sete jogadores, sendo que a maioria era composta por aposentados. Todos eles foram qualificados e liberados em seguida.
Além disso, embora a palavra faça lembrar os grandes estabelecimentos de Las Vegas, nos Estados Unidos, o cenário encontrado pelos policiais nada tinha a ver com a pompa dos cassinos norte-americanos. Era um esquema simples, mas extremamente organizado, conforme explica a polícia.
“É uma estratégia inédita para evitar a ação da polícia, principalmente, por funcionar dentro de uma residência. Porém, a Polícia Civil sempre agiu e agirá de forma enérgica até que a legislação mude”, reitera o delegado Kleber Granja.
Ele acrescenta ainda que o objetivo agora é identificar os organizadores desse esquema. Para a polícia, eles estariam em São Paulo. “Nós pretendemos fazer uma articulação entre a polícia daqui e a da Capital, que tem acesso ao nosso banco de dados e já estão cientes sobre o caso”, conclui Granja.