Em busca de uma vaga nas semifinais da Copa do Mundo, a Seleção Brasileira tentará superar seus "fantasmas recentes" hoje, às 17h, no Castelão, em Fortaleza.
A equipe dirigida por Luiz Felipe Scolari terá que vencer a talentosa seleção da Colômbia e a sua própria tensão, controlando os nervos para manter vivo o sonho de conquistar o hexacampeonato mundial.
E já sabe que, se passar pela Colômbia, enfrentará a sempre forte Alemanha na terça-feira, às 17h, no Mineirão. Os alemães eliminaram a França hoje, no Maracanã, por 1 a 0.
Rafael Ribeiro/ CBF |
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Brasil de Thiago Silva busca redenção e tenta segurar os nervos para encarar Colômbia e avançar na Copa |
Controle?
Mais do que as duas defesas do goleiro Julio Cesar na disputa de pênaltis contra o Chile, que assegurou a passagem da Seleção para as quartas de final, o que mais repercutiu nos últimos dias foi mesmo o abalo emocional exibido por jogadores, e até por membros da CBF, na primeira decisão do Brasil na Copa.
Lágrimas escorreram pelos rostos de vários jogadores antes mesmo da definição do confronto, incluindo o zagueiro e capitão Thiago Silva, colocando em dúvida se esse grupo da Seleção tem condições de suportar a pressão de conduzir o Brasil a mais um título mundial, dessa vez atuando em casa. E isso estará em jogo no Castelão hoje.
Os jogadores, porém, tentam minimizar o que foi visto como um descontrole no Mineirão. “Foi a emoção pela partida. Jogar 90 minutos, depois prorrogação e pênaltis, com muito calor e mais de 200 milhões de brasileiros na torcida. O time está preparado para lidar com essa questão emocional dentro e fora do campo”, disse o volante Ramires, reserva.
O que se viu nos últimos dias, então, foi uma Seleção que evitou mostrar os seus sentimentos. É exatamente o que se espera ser visto dentro de campo, diante da Colômbia. E até a psicóloga Regina Brandão foi acionada nos últimos dias para ajudar a controlar os nervos dos jogadores, contribuindo para uma mudança de comportamento dentro de campo em Fortaleza.
E a versão adotada pelos jogadores foi de que eles externaram a emoção por estarem focados na Copa. “O pessoal está colocando a questão emocional como um peso. Não vejo assim. Os jogadores estão vivendo essa Copa de forma muito intensa”, disse o goleiro Victor, outro reserva.
Superação
Além de lidar com os seus nervos, a Seleção também terá que superar um recente trauma na Copa. Afinal, após a conquista do pentacampeonato mundial em 2002, a Seleção não foi além das quartas de final. Foi nesta fase que o Brasil perdeu em 2006 para a França e em 2010 para a Holanda, encerrando a sua participação no torneio.
“A gente não conversa sobre o que passou, vive o presente, o momento maravilhoso da carreira de cada um. Até mesmo os jogadores que estiveram nas últimas Copas. Evitamos falar do que aconteceu. Estamos focados no presente”, disse o volante Fernandinho.
Agora, diante da Colômbia, a Seleção tenta avançar nas quartas de final para chegar viva na semana final da Copa. Para isso, porém, não basta controlar os nervos. Afinal, o Brasil tem oscilado demais desde a abertura da competição, com pouca compactação entre os setores e movimentação escassa no setor ofensivo.
Por isso, Felipão fez alguns testes nos últimos dias, como escalar um time com três zagueiros e sem um centroavante, em um indicativo de insatisfação com as atuações apagadas de Fred, mas só deve mesmo fazer uma mudança, obrigatória, para começar o jogo contra a Colômbia. Com Luiz Gustavo suspenso, Paulinho retorna ao time após ficar fora da partida com o Chile por opção do próprio treinador.
Assim, Fernandinho deve atuar como primeiro volante, ao contrário do que aconteceu no jogo com o Chile, quando ficou com a vaga de Paulinho. “Fui convocado como primeiro volante, joguei a temporada passada toda assim na Inglaterra (no Manchester City). Se ele optar por isso, não tem problema nenhum”, disse.
Os cartões amarelos, aliás, são outra preocupação para o jogo com a Colômbia. Afinal, o capitão Thiago Silva, os atacantes Neymar e Hulk e o lateral-direito Daniel Alves, além dos reservas Ramires e Jô, estão pendurados com um cartão amarelo e caso voltem a ser advertidos, ficarão fora de uma eventual semifinal.
Novo capítulo
Adversário da Seleção Brasileira hoje, a Colômbia costuma ser um rival de lembranças históricas para o Brasil. Isso porque alguns dos jogos marcantes dos Canarinhos aconteceram contra este rival, embora ambos jamais tenham se enfrentado na história dos Mundiais.
O domínio brasileiro neste duelo é grande. Dos 25 jogos disputados até o momento, o Brasil venceu 15 e perdeu apenas dois, tendo ainda acontecido oito empates. Os brasileiros anotaram 55 gols e sofreram apenas 11.
Um dos fatos históricos marcantes do encontro aconteceu no dia 23 de março de 1957, pela Copa América, no Estádio Nacional, em Lima, no Peru. Os brasileiros golearam por 9 a 0, mas o jogo fiou marcado pela atuação individual do atacante Evaristo de Macedo. Ele marcou cinco gols e até hoje é o atleta que conseguiu marcar o maior número de tentos com a camisa Amarelinha em um único jogo.
“Aquele jogo é sempre de grande memória, pois foi uma marca que persiste até hoje. Era uma época em que a gente entrava em campo contra a Colômbia querendo saber de quanto ia ser. Agora a coisa está mais equilibrada”, disse Evaristo.
Jogo mil
O último encontro entre os dois times também pode ser considerado histórico, mesmo tendo sido um simples amistoso, no dia 14 de novembro de 2012. Isso porque naquela noite, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, a Seleção Brasileira disputou o milésimo jogo oficial de sua história.
Naquela ocasião, Juan Cuadrado, em um chute cruzado, abriu o placar para os colombianos no fim do primeiro tempo. Mas aos 18 minutos da etapa final, Neymar, em jogada individual, decretou o empate por 1 a 1, resultado final. Os Canarinhos ainda estavam sob o comando de Mano Menezes, que seria demitido dias depois (após derrota no Superclássico das Américas, dia 21 de novembro, para Argentina) para a contratação de Luiz Felipe Scolari.
Se o Brasil leva amplo domínio sobre os colombianos, nos últimos anos o duelo tem sido marcado pelo equilíbrio. As últimas quatro partidas terminaram empatadas, sendo que três delas sem abertura de contagem.
A última vitória dos brasileiros sobre os colombianos aconteceu em 7 de setembro de 2003, na cidade de Barranquilla, na Colômbia, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Os Canarinhos ganharam por 2 a 1. Já os colombianos não batem o Brasil desde 13 de julho de 1991, quando fizeram 2 a 0 pela fase de grupos da Copa América do Chile. Em território brasileiro os colombianos jamais conseguiram bater os anfitriões.
Rival conhecido
A Seleção Brasileira leva ampla vantagem no confronto direto com a Colômbia, tanto que perdeu apenas duas de 25 partidas para o seu adversário nas quartas de final da Copa do Mundo. Mas a situação é bem diferente quando são considerados os confrontos entre o Brasil e o técnico argentino José Pekerman, um dos responsáveis por aquela que já é a melhor campanha da história colombiana em um Mundial.
Pekerman construiu a sua fama dirigindo as seleções de base da Argentina entre 1994 e 2001. Nesse período, ele revelou jogadores promissores, conquistou títulos e teve vários duelos com o Brasil. Apenas considerando Mundiais, foram quatro confrontos, com duas vitórias para cada seleção.
O Brasil se deu melhor nos Mundiais Sub-17, com vitórias em 1995, por 3 a 0, nas semifinais, e em 1997, por 2 a 0, nas quartas de final. No Mundial Sub-20, foi a Argentina de Pekerman quem se sobressaiu. Em 1995, conquistou o título ao bater a Seleção por 2 a 0. Dois anos depois, o placar se repetiu, mas nas quartas de final do torneio.
O bom trabalho na base levou Pekerman a suceder Marcelo Bielsa no comando da seleção principal da Argentina em setembro de 2004. O seu primeiro encontro com o Brasil foi em 8 junho de 2005. Com facilidade, os argentinos bateram os brasileiros por 3 a 1, no Monumental del Nuñez, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006.
A resposta da Seleção veio dias depois, na Alemanha, em 29 de junho, na decisão da Copa das Confederações. E os brasileiros conquistaram o título com uma atuação de gala, que rendeu a goleada por 4 a 1.
O último encontro de Pekerman com a Seleção foi em novembro de 2012, já com a Colômbia. Em amistoso disputado nos Estados Unidos, o Brasil não passou de um empate por 1 a 1, com gols de Cuadrado e Neymar, que desperdiçou uma cobrança de pênalti nos minutos finais da partida.
Agora, como aconteceu nas oitavas de final da Copa, quando enfrentou o Chile de Jorge Sampaoli, o Brasil volta a encarar uma seleção sul-americana dirigida por um técnico argentino na competição. E o retrospecto diante de Pekerman mostra que não será nada fácil vencê-lo.
Time
José Pekerman encerrou ontem a preparação da Colômbia, como de praxe nas vésperas dos jogos, com a imprensa tendo acesso a apenas 15 minutos da atividade, realizada na Universidade de Fortaleza para preservar o gramado do Castelão.
Nenhuma formação foi esboçada pelo comandante argentino, mas não deve haver grandes modificações com relação ao time que bateu o Uruguai por 2 a 0 no Maracanã, nas oitavas. Assim, Pekerman mantém o 4-4-2 e descarta de vez o 4-2-3-1 escalado nas primeiras rodadas do Mundial. Se voltar atrás, Ibarbo poderia ser uma opção para o ataque no lugar de Jackson Martinez.
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