Cultura

O novo voo da "águia"


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Reprodução Internet

“Era meu sonho gravar essas canções dos anos 1940 a 1970”

Ao definir o seu novo disco como um golpe de sorte, o sambista Monarco escolhe a modéstia para falar do trabalho que, ele mesmo, elege ser o melhor de sua carreira. No álbum, o portelense recupera músicas inéditas, engavetadas havia décadas. “Passado de Glória - Monarco 80 Anos”, que chega às lojas em breve, sela as comemorações das oito décadas de vida do compositor, que completa 81 anos no próximo dia 17 de agosto.

“Era meu sonho gravar essas canções dos anos 1940 a 1970”, diz o sambista da Velha Guarda da Portela. Composto por 13 faixas, o disco conta, ainda, com a participação de nomes como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho e Marisa Monte, além de outros amigos e familiares. As únicas canções mais recentes são “A Grande Vitória”, feita há dois anos, e “Poeta Apaixonado”. Esta, uma parceria póstuma com Mário Lago, morto em 2002.

“Sempre quis compor com Mário, mas não tive tempo. Então, fiz uma montagem de versos dele e juntei a uma melodia minha”, diz Monarco, saudoso do amigo. A saudade, inclusive, é tema constante em seu novo trabalho. “Ela sempre esteve presente nos meus sambas! Porque ela dói, mas também pode ser muito bonita”, diz.

Aos 80 anos, Monarco admite ser, ele mesmo, nostálgico. “Todas as minhas músicas têm relação com algum momento vivido por mim. Tenho 62 anos de carreira e 80 de vida, cheios de alegrias e desilusões. É uma vida bonita, em que tenho muitos amigos e sou respeitado em todas as escolas de samba a que vou.”

Repertório

A mais antiga entre as canções do novo disco é “Crioulinho Sabu”, uma composição de 1942. “Eu tinha oito anos quando a fiz, em Nova Iguaçu [Baixada Fluminense]”, diz Monarco. Foi o filho dele e também produtor do disco, Mauro Diniz, quem sugeriu gravá-la.

“É uma música que complementei com uma segunda parte, depois. E Mauro agora trouxe essa versão, com um coro infantil. Fiquei feliz”. Monarco explica o motivo da alegria: “Mostra que, desde cedo, tenho esse dom. Fiz essa música quando nem sonhava em ter um cavaquinho. A gente botava papelão em uma lata de manteiga e fazia daquilo um surdo”.


Faixa a faixa

Poeta Apaixonado

Nostálgica, fala da busca pela felicidade após a perda de um amor. Os versos são de Mário Lago (1911-2002). Monarco os compilou e musicou


Verifica-se de Fato

Nessa faixa, o sambista faz dueto com Zeca Pagodinho. A música é um conselho para alguém que, traído, não deveria perdoar a mulher adúltera

Não Reclame, Pastorinha

A primeira do disco a fazer reverência à Portela, sua escola de samba

Tristonha Saudade

Cantada com Beth Carvalho, a música lembra que apenas um novo amor pode curar a perda de outro

Insensata e Rude

É sobre um relacionamento em crise, em que o homem pede à mulher que pare de maltratá-lo. Assim, poderiam voltar a ser felizes

Estação Primaveril

Delicada, elege a primavera como a estação do amor e enaltece a natureza. Marisa Monte canta a segunda parte

A Grande Vitória

Diogo Nogueira acompanha Monarco nessa otimista canção sobre a obstinação dos portelenses em fazer da Portela a campeã do Carnaval

Pobre Passarinho

Música de abandono, fala de um homem que, com saudade de um amor perdido, se sente como um pássaro privado de liberdade. Com a neta Juliana Diniz

Momentos Emocionais

Mais uma declaração de amor à Portela. Nela, o compositor confessa que fazer parte da história e dos desfiles da escola lhe emociona. Com Cristina Buarque

Fingida

O paulista Tuco Pellegrino ajuda Monarco a cantar a história de um homem que não quer perdoar uma mulher ingrata

Meu Criador

Volta a ser nostálgico, com o samba sobre uma pessoa infeliz que pede a Deus que olhe por ela. Com a Velha Guarda da Portela e o filho Marquinhos Diniz

Horas de Meditação

O filho Mauro Diniz divide os vocais com Monarco nessa canção sobre o esforço de um homem para renunciar um saudoso amor

Crioulinho Sabu

Cantada com um coro infantil, a música foi feita pelo compositor quando ele tinha apenas oito anos de idade


 

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